31 jul

Sobre como Framed joga com a narrativa de quadrinhos

Imagine que você está lendo uma história em quadrinhos. É um mistério com um clima noir envolvendo uma grande perseguição ao personagem principal, que leva consigo com uma maleta com um conteúdo valioso. Em determinado momento, nosso herói (ou anti-herói, já que está sendo perseguido pela polícia) acaba virando uma esquina e indo de cara em um policial, que o aguardava numa emboscada. Ele é preso e sua aventura, aparentemente, termina aí.

“Se ao menos ele tivesse entrado pela porta entreaberta daquela casa”, pensa você, com pena do nosso anti-herói. “Já sei!” exclama você, exaltado. Com uma tesoura em mãos, você recorta a página da sua graphic novel de capa dura em papel couchê brilhante e muda a ordem dos quadros. Então, para a surpresa do universo, a história muda, e o fugitivo escapou da armadilha dos policiais e continuou sua épica fuga com sua valise misteriosa.

Isso não seria possível no mundo real. Sério, nem tente, não estrague nem os seus e nem os gibis de ninguém. Mas essa é a premissa de Framed, um jogo indie para tablets criado pelo estúdio australiano Loveshack Entertainment (antes que alguém pergunte, não, não é um simulador de destruição de gibis). Nele acompanhamos a história que descrevi, do nosso anti-herói em fuga, que é contada com uma combinação de quadrinhos e animação, e temos que organizar os quadros de cada página para que ele consiga escapar da polícia.

Texto originalmente publicado no site Sem Tilt em 21/04/2016.

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