02 jan

Sobre Os Melhores Games Que (Quase) Ninguém Jogou 2017

Então, chegou a hora de premiar Os Melhores Games Que (Quase) Ninguém Jogou de 2017!

Esta é a transcrição do vídeo de mesmo nome que está no meu canal do YouTube. Vão lá conhecer!

Para quem não conhece, a idéia por trás deste prêmio é promover jogos que gostei mas que senti que passaram desapercebidos pela maior parte das pessoas.

Este ano, escolhi apenas três jogos. Isto é mais um reflexo da minha falta de tempo para jogar muitos games diferentes do que uma falta de jogos de qualidade em 2017. Muito pelo contrário, tem muito jogo muito bom, eu que não consegui jogar todos que queria. Outro fator que acabou influenciando foi que alguns dos jogos que mais gostei foram relançamentos, remakes ou expansões, e achei que não era apropriado acrescentá-los a esta lista.

Por isso, sem mais delongas e em nenhuma ordem em particular, vamos para o primeiro d’Os Melhores Games Que (Quase) Ninguém Jogou 2017:

Quanto mais eu penso em Snake Pass, mais eu gosto dele. A engenhosidade da sua sacadinha, de controlarmos uma cobra e assim termos que nos mover e pensar como uma, criou um jogo realmente especial e único, um jogo de plataforma em que não pulamos. Sim, é bem difícil controlar o Noodle, nosso protagonista reptiliano, mas exercitar o cérebro e os dedos com esta pérola foi uma das mais memoráveis experiências videogamísticas que tive este ano.

Claro que ele não é um jogo sem seus problemas, o principal deles a câmera, além de um certo sadismo dos desenvolvedores em alguns momentos do jogo, mas no geral eu gosto muito de Snake Pass, com sua sacadinha simples e brilhante, e por isso o premio como um d’Os Melhores Games Que (Quase) Ninguém Jogou 2017. Disponível para Switch, PS4, Xbox One e PC. Caso queiram uma visão um pouco mais aprofundada do jogo, vejam o meu review.

Este puzzle lançou agora em dezembro e me impressionou tanto que fiz questão de pô-lo nesta lista. É meio difícil de explicar como ele funciona, mas vou tentar mesmo assim: Gorogoa conta a história de um menino tentando juntar cinco McGuffins para oferecer a uma criatura mística. Para isso, temos que manipular quadros de lugares e objetos em uma grade de dois por dois e assim avançar a história. Parece que estamos brincando com uma história em quadrinhos, lembra um pouco o Framed, outro jogo que brinca com este tipo de narrativa, mas Gorogoa trabalha isso de maneira mais complexa.

Um exemplo: temos que fazer uma maçã cair na bacia que o menino carrega. Só que a macieira está em um quadro e a bacia em outro. Mas, se manipulamos o zoom de cada um, conseguimos unir as imagens e assim colocar a árvore e a bacia na mesma cena. Todavia, a maçã ainda não cai, está presa. Precisamos da ajuda de um corvo que está em outro quadro, e manipulamos o zoom dele até completarmos a cena e assim conseguirmos a fruta.

Imagino que vocês já tenham percebido o esplendor exuberante da arte deste jogo, toda desenhada a mão por seu criador, Jason Roberts, e devo admitir que foi ela que me atraiu a Gorogoa, a princípio.

Mas o que me levou a incluir o jogo nesta lista é a sua engenhosidade. A maneira como ele foi planejado e os diversos elementos se encaixam é impressionante. Dá pra perceber a meticulosidade do desenvolvedor em criar o que é, de certo modo, um único puzzle gigante, contando uma história interessante e um tanto melancólica. Mais assombroso ainda é o fato do jogo inteiro ser silencioso, sem nenhuma palavra escrita ou falada para guiar o jogador ou mesmo para contar sua história.

Uma ressalva que preciso fazer é que Gorogoa é um jogo curto, terminei em uma hora e meia, mais ou menos. Ao mesmo tempo, sinto que essa é a idéia dele, ser uma experiência focada em contar uma história interessante de uma maneira única e, na minha opinião, absolutamente brilhante.

Seu único problema é que ele não foi planejado para ser jogado com controles, mas com o mouse ou touchscreens. A experiência de mover o cursor com os direcionais é bem cansativa. Se você for jogar no Switch, que nem eu fiz, recomendo jogar no modo portátil, usando a touchscreen. Ele também saiu para PC e iOS, com preços mais baixos que no Switch, por isso recomendo essas versões ao invés da do console da Nintendo.

E, independente da versão que você jogar, se você gosta desse tipo de jogo indie um pouco mais experimental, ou se você simplesmente quer admirar um jogo muito bem planejado e executado, recomendo Gorogoa, um d’Os Melhores Games Que (Quase) Ninguém Jogou 2017.

Após premiar dois jogos com idéias e sacadinhas inusitadas, quero falar agora de um que, se não teve nenhuma grande inovação, soube trabalhar todas as suas idéias com perfeição e o resultado final é um dos melhores metroidvanias que já joguei na vida.

Steamworld Dig 2 é realmente tão bom assim.

Principalmente porque sua mecânica central, cavar, funciona supreendentemente bem. Ela incentiva uma exploração inteligente, em que temos que criar o caminho para descer as minas pensando em como voltar para a superfície, e temos que pensar como acessar os tesouros subterrâneos com cuidado, já que qualquer erro pode destruí-los, ou pior, pode destruir Dorothy, nossa intrépida heroína.

Sim, essa mecânica já funcionava no primeiro Steamworld Dig, mas tenho a impressão que a expandiram bastante no segundo ao acrescentar novos movimentos e obstáculos. Como disse antes, não é a inovação, mas o aperfeiçoamento que faz este jogo ser especial.

A questão é: cavar em Steamworld Dig 2 é muito divertido e viciante. Vocês está sempre querendo descer mais um pouco na mina, querendo ver o que tem alguns metros pra baixo, sempre curioso do que está por vir. Para alimentar ainda mais nossa curiosidade, os ambientes que exploramos são muito interessantes, principalmente se você, como eu, curte o universo que a Image & Form criou, duma realidade pós-apocalíptica povoada por robôs steampunk caubóis. E, se você não se interessa por uma realidade pós-apocalíptica povoada por robôs steampunk coubóis, qual que é o seu problema?

Soma-se a isso diversos segredos espalhados pelo mundo e mini-dungeons com desafios muito legais e, em muitos casos, realmente difíceis, e temos um desses jogos que você começa a jogar e quando pára pra ver, já passou umas três horas. Eu realmente viciei muito em Steamworld Dig 2, só fui sossegar depois de ter feito 99%. Não fiz 100% porque o último dungeon secreto, um desafio extra, se provou difícil demais pra mim, mas acreditem, este jogo é tão bom assim.

Quanto à sua história, ela funciona bem, com suas reviravoltas e seus personagens divertidos, mas não é a mais surpreendente e original que já vi. Mesmo assim, gostei bastante. Seu único problema, que é a minha única reclamação com o jogo, é… um grande spoiler, que é melhor eu nem falar pra não estragar a surpresa. Mas existe um ponto na história que me enganou duma maneira não-tão-boa. Basicamente, eu quebrei a ordem dos upgrades do jogo por causa desse evento específico, e fiquei meio irritado por isso ter acontecido. Mas essa minha irritação passou rápido e não alterou minha opinião final sobre o jogo.

De qualquer maneira, se você gosta de metroidvanias, ou mesmo se você gosta de jogos divertidos e bons, eu recomendo e muito Steamworld Dig 2, mesmo se você não jogou o primeiro. Aliás, vá jogar o primeiro, que é muito bom também. Disponível para Switch, PS4, PS Vita e PC, Steamworld Dig 2 é, com louvor, um d’Os Melhores Games Que (Quase) Ninguém Jogou 2017.

Conclusão

Enfim, Snake Pass, Gorogoa e Steam World Dig 2 são Os Melhores Games Que (Quase) Ninguém Jogou 2017. Recomendo-os para todos que estão procurando algo mais alternativo, fora do espaço AAA mainstream de Marios, Zeldas, Call fo Dutys e Assassins Creeds. Talvez eu faça, depois, um vídeo falando de outros jogos que gostei em 2017, mas hoje estou aqui para premiar e celebrar estes três jogos. Portanto, parabéns, Sumo Digital, Buried Signal e Image & Form pelo fantástico trabalho, seus jogos são muito, muito bons! E, se você jogou algum deles e quer deixar a sua opinião ou tem algum outro jogo que gostou muito e sentiu que as pessoas ignoraram, deixe seu comentário aí e…

Até a próxima!

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