04 dez

Sobre os controles de movimento em Super Mario Odyssey (e no Switch)

Então, eu estava pensando em alternar o assunto um pouco, pra não ficar focando tanto em Super Mario Odyssey, mas aí um artigo saiu no site Polygon argumentando, resumidamente, que os controles de movimento de Mario Odyssey revelam um problema maior do Switch: que controles de movimento não funcionam em aparelhos portáteis.

Então o que é WARIO WARE TWISTED?!?!

Esta é a transcrição do vídeo de mesmo nome que está no meu canal do YouTube. Vão lá conhecer!

Para começar, vamos falar especificamente dos controles de movimento de Mario Odyssey.

E admitir que eles são, sim, problemáticos. Não chegam a arruinar a experiência, mas poderiam ter sido melhor implementados.

Mas o quê, exatamente, prejudica eles? Com base no que vi sendo discutido na internet e na minha própria experiência, cheguei em três grandes problemas.

O primeiro, que me parece ser a inspiração do artigo do Polygon, é que Mario Odyssey pede movimentos mais, digamos, teatrais. Não é que nem Splatoon 2, que movimentos sutis já produzem a resposta esperada. Se você quer que o Mario gire o Cappy ao redor dele, é preciso mover com um pouco de vontade.

Isso acaba atrapalhando quando você está jogando no modo portátil, pois ficar sambando o Switch inteiro pra lá e pra cá é um certo incômodo, além do risco de derrubar o aparelho.

O segundo grande problema é os controles de movimentos serem “obrigatórios”, muita gente queria a opção de desativá-los e associá-los a botões.

A primeira imagem que aparece, ao ligarmos o jogo. Para quem não entende inglês, ela sugere jogar com os Joy-Con separados e que os controles de movimento habilitam opções extras.

Esta crítica me incomoda um pouco, pois acho que ela vem mais de um preconceito que muitos têm com controles de movimento do que propriamente de um problema específico de Mario Odyssey, mas, ao mesmo tempo, ela não está errada. Pois deveríamos ter a liberdade de customizarmos os comandos de um jogo do modo que quiséssemos. O fato da Nintendo ser a única fabricante de hardware que não permite remapear os botões dos controles é um absurdo, e devíamos cobrar ela por isso.

Nota mental: encher o saco da Nintendo no Twitter pra implementar remapeamento de botões no Switch.

De qualquer maneira, a questão é: existem certas ações do Mario que só dá pra fazer com movimento, e elas não precisavam, necessariamente, ser assim. Dava para ter associado elas com botões, já que alguns possuem funções duplicadas.

O último grande problema é a “imprecisão” dos controles de movimento. Às vezes queremos que o Mario faça X, mas ele faz Y, porque o jogo entendeu errado o movimento que fizemos, e isso é deveras frustrante.

Muito bem, esta é uma questão mais complicada, pois acho que ela é um pouco subjetiva. Algumas pessoas têm mais problema pra dar os inputs corretos de movimento que outras, e isso influencia a opinião que cada um tem de controles de movimento.

Tendo dito isto, os botões são mais precisos e previsíveis, não tem nem o que discutir. Se eu apertar o A quinhentas vezes, o Mario vai pular as quinhentas vezes, não vai acontecer dele se agachar por engano algumas.

Já pensou se o Mario se agachasse randomicamente ao apertarmos o botão de pulo? Ia deixar este minigame ainda mais insuportável.

Agora que eu listei os grandes problemas com os controles de movimento de Mario Odyssey, quero tentar responder à seguinte pergunta: Por que a Nintendo implementou eles no jogo?

A resposta cínica que 99% da internet vai dar é que ela quer alardear que os Joy-Con possuem sensores de movimento, seja pra atrair o público casual do Wii, seja pra justificar terem colocado eles no Switch, seja porque a Nintendo está se apegando aos controles de movimento porque ela é louca e não percebeu que essa é uma tecnologia falida.

Muito bem, ignorando essas justificativas preguiçosas e estúpidas, eu acho essa leitura simplista demais. Sim, é claro que a Nintendo quer que as pessoas saibam que o Switch tem controles de movimento, mas isso é só metade do propósito. Como espero que ela tenha aprendido com o WiiU, não adianta implementar uma função no hardware sem associá-la a uma experiência interessante, divertida e/ou vendável.

Portanto, qual é a experiência que a Nintendo quer vender com os controles de movimento de Mario Odyssey?

A de jogarmos o Cappy igual ao Mario. A Nintendo quer que executemos junto com o Mario a principal ação do jogo, porque assim é mais interativo e divertido, pelo menos aos olhos dos desenvolvedores. Claro que eu não tenho como saber com 100% de certeza se esse foi o real motivo, mas deve ser, pra mim faz todo o sentido do mundo.

O que eu estou querendo dizer é que não foi o caso dos desenvolvedores terem pensado nas ações do Mario e depois terem inventado de pôr controles de movimento nelas para vender o Switch ou sei lá que outra babaquice que as pessoas gostam de inventar sobre a Nintendo, mas sim que foi o contrário: eles tiveram a idéia de movermos o controle como se fosse um frisbee para o Mario imitar o nosso movimento ANTES e aí, sim, eles criaram as demais ações do jogo.

Por isso movemos o controle pra baixo pra jogar o Cappy pra baixo, pra cima pra jogar pra cima e com as duas mãos para o lado, implicando uma força maior, para girar ele em torno do Mario. O resto, como pular, correr e agachar, continuaram com os inputs que sempre tiveram, no direcional e nos botões, pois eles são complementos à ação principal de jogar o chapéu. E os controles de movimento das possessões devem ter surgido da lógica que “se o Mario normal tem ações com movimento, as possessões deveriam ter também.”

Todavia, uma hora eles trombaram com o modo portátil do Switch, e perceberam que não ia dar pra deixar a ação principal atrelada exclusivamente a um movimento, então associaram-na a um botão também. No fundo, apertarmos o Y para jogar o Cappy que é a Nintendo vendendo o Switch, e não os controles de movimento.

O grande diferencial do Switch.

Novamente: não tenho como afirmar com certeza que foi assim que aconteceu, mas pra mim essa narrativa faz sentido, até por explicar os três grandes problemas dos controles de movimento de Mario Odyssey que listei antes… mais ou menos.

Quando você joga um frisbee, você faz uma certa força, senão ele cai na sua frente e seu cachorro fica decepcionado com você. Logo, não faz sentido o movimento de arremessar o Cappy ser sutil, pois senão ele não ia voar muito longe se você estivesse jogando-o no mundo real.

Não dá pra associar certas ações a botões porque elas foram pensadas como um movimento do jogador em primeiro lugar, então elas ficaram presas aos controles de movimento e fim. Se bobear nem passou pela cabeça dos desenvolvedores que elas podiam ser acionadas por botões.

E a “imprecisão” dos controles? Sinceramente, acho que, na cabeça da Nintendo, ela simplesmente não existe, não há imprecisão nenhuma. Os desenvolvedores provavelmente esperavam que os jogadores fossem se adaptar aos diferentes movimentos e usá-los sem problemas, já que estamos falando da “experiência ideal” do jogo.

Só que agora vem outra pergunta muito importante: isso foi uma boa idéia? A decisão de priorizar essa “experiência ideal” de Mario Odyssey e limitar as outras maneiras de jogar foi uma boa idéia por parte da Nintendo?

Não, não acho que tenha sido uma boa idéia.

Não se pode acertar todas, Mario.

Assim chegamos no ponto que eu concordo com o autor do artigo do Polygon. Por mim, era pra Nintendo ter priorizado a versatilidade do Switch. Afinal de contas, essa é uma das razões dele ser um híbrido, não é mesmo? Jogue do jeito que quiser, onde você quiser.

Tanto que, por mim, só precisava mudar quatro coisas: colocar a ação de jogar o Cappy pra cima no X, a de jogar pra baixo no A, a opção de de trocar as funções do X com o Y e do A com o B e dar algumas opções de sensibilidade dos sensores de movimento em relação aos controles do Mario que nem tem para a câmera. Com isso, teríamos acesso a todo o arsenal de movimentos do Mario em qualquer configuração de jogo do Switch e, com as diferentes sensibilidades, as pessoas poderiam ajustar a experiência da maneira que quisessem.

Todavia, eu discordo veementemente da asserção do artigo de que os controles de movimento de Mario Odyssey revelam como controles de movimento vão contra a idéia de portabilidade do Switch. Mais especificamente, eu discordo profundamente dessa noção ridícula e imbecil de que controles de movimento não combinam com portabilidade. Nossa, como eu discordo disso.

Porque mesmo se Kirby’s Tilt ’n’ Tumble para o Game Boy, Wario Ware Twisted e Yoshi Topsy-Turvy para o Game Boy Advance e Tony Hawk’s Motion para o DS, ou seja, jogos com controles de movimento para portáteis, nunca tivessem existido, ou mesmo se o 3DS e o Playstation Vita, ou seja, portáteis com sensores de movimento, também nunca tivessem existido, JOGOS PRA CELULAR COM CONTROLES DE MOVIMENTO EXISTEM! E SÃO JOGADOS EM TUDO QUANTO É LUGAR! O TEMPO INTEIRO! SEM PROBLEMA NENHUM! PUTA QUE PARIU! JOGOS MOBILE SÃO VIDEOGAMES TAMBÉM! PÁRA COM ESSE ELITISMO IDIOTA DE SÓ CONSIDERAR CONSOLES, PORTÁTEIS E PC PLATAFORMAS DE VERDADE!

Inclusive, Ridiculous Fishing, um dos melhores jogos mobile que existe, usa controles de movimento.

Não sei se vocês já repararam, mas eu tenho muito ódio de elitismo na cultura gamer. Porque fazer uma afirmação ridícula e imbecil dessas, de que controles de movimento precisam de espaço e um ambiente controlado pra funcionar, ignorando as dezenas de milhares de games existentes para celular é, sim, um elitismo ignorante. Elitismo não é só se colocar acima dos outros, é ignorar a existência deles também.

Os controles de movimento de Mario Odyssey não são problemáticos porque controles de movimento como um todo não funcionam em portáteis, que nem o artigo néscio do Polygon imbecilmente generalizou, eles são problemáticos porque não foram apropriadamente implementados para funcionar otimamente num aparelho portátil. PONTO. Quando um jogo planeja seus controles de movimento para um aparelho portátil, eles tendem a funcionar bem. OBVIAMENTE.

Portanto, ao escrever um artigo de opinião sobre um dos maiores games do ano para um dos maiores sites de games do mundo, não façam generalizações burras, pesquisem um pouco para ter um mínimo de perspectiva histórica e não sejam elitistas. Por favor.

Acho que o que mais me irrita nessa história toda é que eu gosto do Polygon, já li muita coisa boa lá e é uma das minhas principais fontes de notícias de games. Ler uma paspalhice dessas nele me emputeceu mais do que se tivesse lido, sei lá, num blog qualquer na internet.

Enfim, isso que eu tinha pra falar sobre os controles de movimento de Mario Odyssey e do Switch. E obrigado por me ouvir descarregar sobre aquele artigo ridículo, estava precisando. Mas e você? O que acha dos controles de movimento de Mario Odyssey? E qual a sua opinião sobre as dezenas de milhares de jogos portáteis e mobile com controles de movimento que existem e funcionam perfeitamente bem? Deixe seu comentário aí e…

Até a próxima!

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