23 out

Sobre os indies brasileiros na BGS 2017

Então, fui na Brasil Game Show, ou BGS, neste último final de semana, e neste vídeo vou falar sobre os jogos indies brasileiros que estavam em exposição. Na verdade, esta era a principal parte da feira que eu queria ver, pois não tinha um stand da Nintendo e do resto… bem, digamos que o Forza 7 é bem bonito no Xbox One X.

De qualquer maneira, devo dizer que me surpreendi bastante com os indies brasileiros na feira, tanto positivamente… quanto negativamente.

Só que foi mais positivo que negativo, então yay!

Esta é a transcrição do vídeo de mesmo nome que está no meu canal do YouTube. Vão lá conhecer!

Para começar, sinto a necessidade de admitir o seguinte: eu não sigo tão de perto o cenário de desenvolvimento de games aqui no Brasil. Em grande parte por achar que ele era 100% voltado para mobile e PC, enquanto que eu sou mais um jogador de consoles. Sendo sincero, tinha um pouco de preconceito também, vindo do famoso complexo de vira-lata que muito brasileiro tem, de achar que o que é produzido aqui é de qualidade inferior.

Por isso, nesta BGS, estava decidido a ver o que tinha de jogos nacionais, principalmente para aprender mais. E, no fim, foi mesmo uma experiência muito educativa, não apenas por descobrir que existem vários jogos brazucas de alta qualidade e que muitos estão sendo desenvolvidos também pra consoles, mas também por ver a variedade de jogos sendo produzidos.

Jogos de estratégia, card games, jogos de luta 2D, shmups, RPGs, jogos de fantasia, jogos de ficção científica, jogos de vikings, jogos de zumbi, visuais em pixel art, visuais “realistas Unreal”, tinham jogos para todos os gostos. Não que eu achasse que fosse ser tudo igual ou coisa parecida, mas a pluralidade me impressionou deveras, e fiquei bem animado com a produção made in Brasil.

Não apenas os jogos, mas diversos tipos de desenvolvedores também estavam presentes, desde estudantes recém-formados da faculdade trabalhando para tornar seu TCC um jogo vendável até estúdios com vários jogos no mercado mostrando seu mais novo projeto. E tinha gente de vários lugares: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Mato Grosso do Sul, enfim, uma diversidade interessante, o que talvez ajude a explicar a variedade de jogos, agora que estou pensando. De qualquer maneira, é bem legal ver a paixão por games atingir pessoas pelo Brasil inteiro.

Exemplo de desenvolvedor independente do Brasil. Sim, esta piada é bem cretina e sim, eu me orgulho muito dela.

Outro aspecto que me chamou a atenção foram os diferentes estágios em que cada projeto se encontrava. Tinham jogos já lançados, prestes a lançar, pra lançar ano que vem, em alpha, em beta, no Kickstarter e até mesmo um protótipo criado mês passado, além de alguns com um grande “sei lá quando” como data de lançamento. O interessante é que o estágio em que o jogo se encontrava não ditava muito sobre sua qualidade, pois alguns dos que mais gostei ainda tinham chão até serem lançados assim como teve um desenvolvedor que me disse a data de lançamento, bem próxima, e tudo que consegui responder foi um “nossa, legal”, enquanto pensava em como o jogo realmente precisava de mais polimento e ainda estava meio tosco.

Esta é, aliás, minha maior crítica ao que estava exposto: senti que muitas das demos não estavam num ponto bom para mostrar ao público. Algumas estavam bugadas demais, outras eram excessivamente básicas, e teve até uma que, depois de eu ter jogado, o desenvolvedor virou pra mim e disse que os controles finais do jogo iriam mudar completamente e não iam ser nada que nem os da demo, o que me deixou perplexo, pois se a jogabilidade inteira ia mudar, o que foi que eu joguei ali? O que você acabou de me vender? Gráficos? Isto é um jogo, não é um desenho animado!

Eu entendo que demos são, muitas vezes, um beta do jogo, em que os bugs ainda estão sendo eliminados e boa parte do refinamento ainda está por vir, e que muitos dos desenvolvedores TINHAM que levar alguma coisa para expôr na feira, afinal de contas, eles têm que vender seus jogos e suas idéias de jogos não apenas para o público consumidor em potencial, mas também para os investidores em potencial e, teoricamente, aparecer com alguma coisa é melhor que aparecer com nada.

Todavia, desta vez eu acho que a teoria está errada. Eu realmente fiquei com a impressão que algumas demos mais espantaram pessoas do que atraíram, bastava ver a quantidade de pessoas em cada estande, as demos mais polidas (e vendáveis) atraíam bem mais público. Me dói o coração falar isto, pois todos com quem conversei me pareceram pessoas legais, dedicadas e apaixonadas pelos seus projetos, mas eu senti que algumas demos deixaram uma impressão ruim em muita gente, eu incluso, o que pode afetar negativamente o futuro desses games no mercado.

Enfim, chega do negativo, vamos para o positivo: muito jogo tinha muita, mas muita qualidade e/ou potencial, e quero destacar agora os cinco jogos que mais gostei e mais me impressionaram, em nenhuma ordem em particular, com exceção do último, que vai ser o último por ter sido o que mais me marcou.

O primeiro que quero destacar é No Heroes Here, da Mad Mimic. É um jogo de tower defense co-op, em que temos que trabalhar em equipe para defender nosso castelo, numa explicação literal. É preciso fabricar a munição, pegar a pólvora, carregar os canhões e atirar, é bem frenético e divertido, me lembrou muito o Overcooked, que é um dos melhores co-ops do Switch. Para melhorar ainda mais, ele é todo em pixel art, e eu adoro pixel art, caso não tenham reparado. Ele já saiu para Steam e ganhará versão PS4 e Switch no futuro, e com certeza comprarei ele quando sair para o híbrido.

O segundo é Keen, da Cat Nigiri. Este me impressionou principalmente por causa da arte, uma coisa animê bonitinha com um quê gótico, mas a jogabilidade deste puzzle é bem legal também. Funciona que nem aqueles puzzles de gelo de RPGs, em que é preciso deslizar numa direção e usar os obstáculos presentes no campo para parar e acertar o caminho. A diferença em Keen é que a personagem sai cortando tudo que estiver no seu caminho, e ao terminar sua derrapagem, ela ataca todos à sua volta, criando esse objetivo extra de matar todos os inimigos. É bem legal e dá pra quebrar a cabeça tentando resolver numa quantidade baixa de movimentos. Se me lembro corretamente, ele vai sair para Steam e mobile, e assim que sair a versão iOS vou ir atrás deste jogo.

O terceiro é Esquadrão 51, da Loomiarts, um shmup com uma sacada brilhante: os visuais lembram efeitos especiais de filmes antigos de invasão espacial, como Guerra entre Mundos. É MUITO LEGAL. Quanto à jogabilidade, ele me pareceu bem básico, direto ao ponto: controlamos um avião e atiramos nos inimigos. No fundo, estou baseando toda a minha empolgação no estilo visual dele, mas o pouco que joguei foi divertido, e acho que ele tem bastante potencial, vai depender do design das fases. Até o momento, apenas a versão para PC foi confirmada, não sei se terão outras, mas vou ficar de olho nele.

O quarto é Zaal Jinn: Wrath of the Elementals, da Aiyra, um jogo de ação 2D com um visual e uma animação muito legal e controles bem responsivos, o que é crucial para esse tipo de jogo, mas o que mais me impressionou foi a disposição do desenvolvedor de, depois da demo, chegar e perguntar o que cada jogador gostou ou desgostou e ANOTAR O QUE FOI FALADO. Pode parecer besta, e não estou querendo dizer que os demais não estavam prestando atenção às críticas que eu e outros jogadores faziam, mas o diferencial de anotar o que falei me deixou muito contente, não sei explicar. E o jogo é divertido de verdade, com todo um esquema de ataques elementais que me lembraram tanto Avatar: The Last Airbender quanto Kirby, e como fã das duas séries, isto é um elogio sincero. A princípio, o jogo está prometido para PC, Mac e Linux, mas este é um que eu ia ficar muito contente se sair pro Switch, e como o desenvolvedor tem um histórico de ouvir os jogadores, espero que ele esteja anotando isto.

O quinto e último jogo é aquele que mais me fascinou e impressionou na feira: Sword of Yohh (conhecido como Children of Yohh anteriormente). Sim, ele me fascinou principalmente por causa da sua pixel art linda de morrer, mas puta merda, olha essa pixel art! Que coisa mais linda! De morrer! Sério, eu não me conformo com o visual desse jogo, é magnífico, eu fiquei maravilhado com ele. Quanto à jogabilidade, ela é interessante também, em que controlamos um elementalzinho ghiblizesco e temos que arremessar uma espada gigante na cara do totem adversário para marcar pontos. Para nos defender, manipulamos o ambiente erguendo pilastras de pedra. Joguei uma partida rápida com uma das desenvolvedoras e me diverti bastante, há muito potencial nessa premissa. Imagino que a versão final vá ter diversos cenários e diferentes maneiras de interagir com o ambiente, o que vai enriquecer muito o jogo. Das plataformas, acredito que por enquanto só exista a versão para PC, mas quem sabe virão outras no futuro. Invariavelmente, a arte deste jogo é maravilinda e fantabulosa e mais bonita que Forza 7 no Xbox One X. Ponto.

Eu realmente adoro a arte deste jogo. Olhem pra ela mais uma vez.

Esses foram os cinco jogos que mais me impressionaram, por isso estou destacando-os, mas isso não quer dizer que foram os únicos. Aqui estão alguns outros que me chamaram a atenção: White Lie, da Ambize, que tem um plot muito interessante e uma proposta visual bem legal, brincando com livros infantis; Game of Kings, da Island of Games, um card game bem ambicioso e que me mostrou muito potencial (mas, se algum dos desenvolvedores estiver vendo este vídeo, recomendo mudar o nome, que já tem outro com o mesmo nome pra mobile); Valgard, da Revolver Game Studio, é um shmup com vikings, uma premissa inusitada, e gráficos bonitões; e Vorum, da Game Nacional, é um JRPG old-school bem interessante em que, aparentemente, vou ser um NPC porque consegui cumprir a missão do demo em menos de quinze minutos, e esse foi meu prêmio. Mas o jogo é legal.

Todavia, para mim, os grandes campeões desta BGS foram estes cinco, e eu vou repetir seus nomes para que vocês se lembrem deles: No Heroes Here, Keen, Esquadrão 51, Zaal Jinn: Wrath of the Elementals e Sword of Yohh.

Enfim, isto que eu tinha a dizer sobre os jogos brasileiros indies que joguei na BGS 2017. Mas e você? Foi na feira? O que achou dela? Jogou algum desses jogos? Deixe seu comentário aí e…

Até a próxima!

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