02 out

Sobre a familiaridade de Metroid: Samus Returns

Então, saiu um novo Metroid QUE É UM METROID DE VERDADE!

Esta é a transcrição do vídeo de mesmo nome que está no meu canal do YouTube. Vão lá conhecer!

Samus Returns é um Metroid de verdade.

Como estou feliz por conseguir falar isso.

Vou falar de novo: Samus Returns é um Metroid de verdade. Nossa, acho que vou chorar.

E por que eu estou tão emocionado?

Porque fazia tempo que não tínhamos um Metroid de verdade.

Pouco mais de dez anos, para ser exato, desde Metroid Prime 3, lançado em agosto de 2007. Se estivermos falando só de Metroids 2D, então o último foi o Zero Mission, de 2004.

Ok, eu sei que é uma atitude presunçosa afirmar que eu, alguém que nunca trabalhou com design de games, entendo melhor de Metroid que a Nintendo, a empresa que criou a série em primeiro lugar, mas vai tomar no cu porque a história de Other M é uma vergonha sexista que praticamente arruinou a Samus e Federation Force, um Metroid focado em multiplayer em que a Samus não apenas não é o personagem principal como precisa ser resgatada, é a idéia mais estúpida da história dos games, e eu estou contando que o Sonic já beijou uma humana, o Bomberman ganhou um reboot sombrio e a Nintendo teve Wii Music como seu principal jogo numa conferência da E3. Caralho, como eu odeio Federation Force! E eu nem joguei! Mas a mera existência dele me ofende! Eu odeio Federation Force! Isso não é Metroid, é lixo! Morra, Federation Force!

Quei-ma! Quei-ma! Quei-ma!

Todavia, Samus Returns é um Metroid de verdade.

Tem exploração? Tem. Tem armas que vão upgradeando e abrem novas áreas? Tem. Tem Samus quieta? Tem. Tem itens escondidos em lugares escrotíssimos? Tem. Tem até o Ridley, e realmente não precisava dele, mas querem saber o quê? Que bom que tem o Ridley! Melhor que um monte de NPC lixo, ou um hômi manipulando a Samus, ou pior: a Samus não ser a personagem principal! Olha que coisa mais linda, a caixa deste jogo! A SAMUS NUMA POSE FODA! SOZINHA! SEM NENHUM OUTRO PERSONAGEM! Acho que vou chorar. De novo.

A meu ver, ao ter retornado ao que os Metroids 2D eram antigamente, Samus Returns se tornou uma magnífica glória videogamística. Claro que o fato dele ser um remake de Metroid 2: The Return of Samus influenciou esse retorno, mas como alguém que jogou os dois jogos, Samus Returns é muito mais que um remake, pois o jogo do Game Boy era bem obtuso e confuso, nem mapa tinha! O do 3DS modernizou e melhorou muita coisa, o que faz com que Samus Returns mereça ser reconhecida hiperbolicamente como uma magnífica glória videogamística.

Todavia, já vi alguns argumentarem que essa similaridade é algo ruim. Que Samus Returns é muito derivativo e não trouxe nada de novo para a série.

Muito bem.

Por-ra-da! Por-ra-da! Por-ra-da!

Em primeiro lugar, os counters de porrada são o máximo e espero que todo santo Metroid 2D tenha isso daqui pra frente e segundo, SER QUE NEM OS METROIDS ANTIGOS É A IDÉIA.

O grande propósito de Samus Returns é ser um retorno ao familiar, ao “arroz com feijão” da série, em vários sentidos, e criticar isso, na minha opinião, é ignorar o contexto cultural em torno do jogo e da série.

Em primeiro lugar, fazem sete anos desde o último Metroid que era um Metroidvania. Sim, a série que basicamente nomeou o gênero não teve um jogo nele por mais de dois mil e quinhentos dias. Absurdo.

Tá, eu sei que o Rogue, que criou o gênero roguelike, só teve um único jogo, lançado em 1980, mas é uma situação diferente, principalmente por ainda termos a empresa que criou Metroid ativa no mercado e mantendo a série viva.

Uma empresa que resolveu lançar uma bosta flamejante que conseguiu ser a coisa menos Metroid possível, um jogo co-op com um minigame de futebol. Metroid Prime Pinball é mais Metroid que esse chorume.

O que nos traz à segunda questão: a escassez de Metroid.

Sim, eu sei que eu falo disso o tempo inteiro, mas é verdade: Metroid não é uma certeza constante que nem Mario, Zelda e Pokémon, nós nunca sabemos quando vai sair um jogo novo da nossa caçadora de recompensas galática favorita. Lembrem-se: não tivemos Metroid no Nintendo 64, nem no WiiU. Por isso nos irritamos tanto com o anúncio de Federation Force, um spin-off no vácuo, sem outros jogos nos estilos mais tradicionais da série anunciados em paralelo, enquanto que aceitamos Metroid Prime Pinball numa boa, lançado entre Prime 2 e 3.

Li-nha-do-tem-po-de-lan-ça-men-tos-com-pa-ra-ti-va! Li-nha-do-tem-po-de-lan-ça-men-tos-com-pa-ra-ti-va! Li-nha-do-tem-po-de-lan-ça-men-tos-com-pa-ra-ti-va!

Logo, Samus Returns representa um acontecimento raro, e isso nos alegra deveras.

Por último, temos a Samus, que, como o título do jogo anuncia, retornou. A verdadeira Samus voltou. Finalmente. Como eu tô feliz.

E o que eu quero dizer com “a verdadeira Samus voltou”?

Seguinte: antes de Other M, a Samus sempre foi retratada como uma caçadora de recompensas fodona e independente que basicamente ia resolver os problemas que ninguém mais conseguia. Até podemos argumentar que em Fusion ela recebia ordens de uma inteligência artificial, mas ela estava sozinha em campo, não tinha um bando de soldadinhos incompetentes fazendo merda pelo planeta e aparecendo do nada pra salvar a Samus porque a história foi escrita por um escritor medíocre.

Só que aí tivemos Other M.

Um jogo com uma história pavorosa escrita por um escritor medíocre, em que a Samus fica incapacitada de medo e precisa ser salva e só faz as coisas após receber a ordem de um hômi. É ridículo. Como se não bastasse, Other M também altera o passado pré-estabelecido da personagem nos jogos anteriores.

E o pior de tudo é que o criador da série, Yoshio Sakamoto, o escritor medíocre supracitado, afirmou que essa Samus fracota e dependente de um homem é a Samus que ele sempre teve na sua cabeça.

Muito bem.

Eu sei que Metroid sempre teve um cunho sexista, com o corpo da Samus sendo uma recompensa pelo desempenho do jogador, mas pelo menos a caçadora tinha um mínimo de vontade própria e independência, além de ser A SALVADORA DA GALÁXIA. Não estou falando que uma coisa perdoa a outra, pois não perdoa, estou falando que existia um mínimo de positivo na série, principalmente quando lembramos que ela foi uma das primeiras protagonistas femininas dos games, ou seja, uma das raras heroínas salvadoras do mundo com quem garotas gamers conseguiam se identificar.

Che-ga-de-se-xis-mo-ar-rai-ga-do-na-so-ci-e-da-de! Che-ga-de-se-xis-mo-ar-rai-ga-do-na-so-ci-e-da-de! Che-ga-de-se-xis-mo-ar-rai-ga-do-na-so-ci-e-da-de!

Só que Other M veio e jogou fora esse mínimo de positivo, e a transformou de vez naquilo que seu criador sempre pensou dela: um par de tetas submissa a um hômi. Agora vocês entendem porque ele quis fazer o jogo com o Team Ninja, de Dead or Alive.

Aí, em seguida, temos aquela abominação que deixou a Samus de lado só pra ela ter que ser resgatada. Eu já falei o quanto eu odeio Federation Force? Eu odeio Federation Force.

Portanto, ao voltar para uma época em que a Samus era independente e salvava a galáxia sozinha, sem ficar dependendo das ordens de um hômi, Samus Returns trouxe de volta a Samus que admirávamos e amávamos. Não resolve os problemas introduzidos por Other M, já que essa pilha de lixo ainda é canon, mas foi uma maneira de reencontrarmos nossa verdadeira heroína.

Deu pra entender agora por quê essa familiaridade de Samus Returns é especial? Estamos finalmente reencontrando tudo que fez com que nos apaixonássemos pela série em primeiro lugar, e isso é significativo, pelo menos para mim. Às vezes, um arroz com feijão é tudo o que precisamos.

O fato do jogo ser bom também ajudou bastante.

Enfim, isso que eu tinha a dizer sobre a familiaridade de Samus Returns. Mas e você? Já jogou ele? O que achou? E o que você pensa sobre esse retorno ao que fez Metroid ser especial? Deixe seu comentário aí e…

Até a próxima!

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