25 set

Sobre o Nintendo Direct de 13-09-2017

Então, tivemos um Nintendo Direct focado nos jogos que estão por vir para o Switch e o 3DS agora no final de 2017 e no início de 2018.

Foi um Direct muito bom, na minha opinião, mas existem dois anúncios em particular que me chamaram muito a atenção por sinalizar um futuro muito promissor para o Switch.

Não, não estou falando dos mamilos do Mario.

Esta é a transcrição do vídeo de mesmo nome que está no meu canal do YouTube. Vão lá conhecer!

Antes de ir para esses dois anúncios específicos, quero comentar rapidamente três outras coisas que me interessaram neste Direct.

Primeiro: assim como muita gente, eu duvidei que a Nintendo e a Monolith Soft conseguissem lançar Xenoblade Chronicles 2 ainda em 2017, quando este jogo foi anunciado em janeiro, e quebramos a cara. Ele não apenas ganhou uma data concreta para seu lançamento, 01/12, como ainda foi um dos jogos mais destacados do Direct. Fico muito feliz por estar errado, pois adorei os outros dois jogos da série e provavelmente vou perder umas 200 horas neste.

Segundo: a Nintendo finalmente ressuscitou seus jogos de fliperama, e o fato deles não estarem atrelados ao Virtual Console me indica que ela vai matar a marca. Talvez eu volte para este assunto em outro vídeo, mas eu realmente estou com a impressão que não teremos o Virtual Console no Switch, pelo menos não com esse nome. Na minha cabeça, isso explica o fato desses jogos estarem sendo lançados separadamente no eShop, que nem está acontecendo com os jogos de Neo-Geo.

Terceiro: Project Octopath Traveler possui um dos gráficos mais magníficos da história dos videogames, puta que pariu, como a direção de arte desse jogo é linda, eu baixei a demo dele e estou chorando de emoção até agora, é sensacional, espetacular e deslumbrante. Mal posso esperar pra jogá-lo ano que vem.

Muito bem, agora podemos ir para os dois anúncios que mais me surpreenderam e que, para mim, falam muito sobre o futuro do Switch e até mesmo da Nintendo.

O primeiro foi o dos jogos da Bethesda para o Switch, Doom e Wolfenstein II: The New Colossus.

Na hora que apareceu isso, soltei um “puta merda!” bem alto pro computador.

PUTA MERDA!

Realmente não esperava a Bethesda anunciando dois jogos para o Switch, ainda mais antes do lançamento de Skyrim. Diversas empresas, como a Capcom e a EA, estão esperando antes de investir mais no Switch, afirmando que querem ver boas vendas dos seus primeiros jogos no console antes de produzir mais. Tanto que a Capcom nem anunciou Okami HD ou Mega Man Legacy Collection 2 para o Switch, dois jogos que, a meu ver, seriam fáceis de adaptar para o híbrido e iriam encontrar um público bom.

Por isso, eu imaginava que a Bethesda estivesse no mesmo barco, esperando as vendas de Skyrim para aí, sim, lançar mais jogos. Tanto que eu sinceramente estava pensando em comprar o Skyrim (quando ganhasse um desconto) mais para mandar um sinal pra empresa que vale a pena investir em consoles Nintendo do que por propriamente realmente querer o jogo. Mas o Doom eu quero comprar assim que lançar, pois é um jogo que estou sinceramente curioso de jogar, e assim mando a mensagem de maneira, digamos, mais honesta.

Outra coisa que me surpreendeu muito foi que os dois jogos anunciados são da geração PS4/One, ou seja, jogos criados para máquinas bem mais poderosas que o Switch. Afinal de contas, desde o Wii, nós, fãs da Nintendo, ouvimos a lamentação das desenvolvedoras third-party de como elas não querem comprometer a sua visão e a qualidade de seus jogos fazendo uma versão menos poderosa para um console Nintendo, sem contar o custo e o trabalho de fazer essa versão “mais fraca”. Tanto que já tinha muita gente falando que as third-parties iam fugir do Switch exatamente por esse motivo.

Mas aí a Bethesda chega com tudo, batendo o pau na mesa e anunciando esses dois jogos para o Switch. A meu ver, isso sinaliza que desenvolver para o Switch realmente não é muito difícil, como a Nintendo vem propagandeando desde o anúncio do console e como eu vi diversos desenvolvedores indie afirmarem. Claro que a Bethesda merece crédito também, pois conseguir fazer esse downgrade com facilidade fala muito da capacidade da sua equipe, mas o importante aqui é que a Nintendo conseguiu contornar o problema do seu console ser mais fraco ao facilitar e baratear o processo de adaptação para ele.

Agora, a única desculpinha das third-parties para não lançar no Switch é essa questão da “visão” dos desenvolvedores quanto a uma versão mais fraca. Mas se a Bethesda, que é A BETHESDA, uma das desenvolvedoras mais AAA que existe e que cria experiências videogamísticas super avançadas, não teve problema nenhum para lançar seus jogos no Switch, acho que as outras também não vão ter. Ou, no mínimo, vai pegar bem mal pra elas com os fãs da Nintendo, como já está acontecendo com a Capcom e a falta de Okami HD pro Switch.

Vamos agora para o outro anúncio que me marcou neste Direct: Arena of Valor para o Switch. Outro grande “Puta merda” da minha parte, só que ainda mais alto que o anterior.

PUUUUUTAAAAAAA MEEEERRRRRDAAAAAAAAUAUAHEUAHEUIOOOOAAAAAA!!!

Sim, estou falando desse MOBA chupinhado de League of Legends.

Que só é O JOGO MAIS JOGADO NA CHINA, o que automaticamente torna ele um dos jogos mais jogados do mundo.

Sério.

Vocês viram que Playerunknown’s Battlegrounds bateu o recorde da Steam com mais de um milhão e trezentos mil jogadores ao mesmo tempo, outro dia?

Arena of Valor tem aproximadamente 50 MILHÕES de jogadores ao mesmo tempo por dia. Em média. Mesmo. Não estou brincando. Acho que o único outro jogo que deve chegar perto dele em quantidade de jogadores deve ser Minecraft.

Mas tão importante quanto um dos jogos mais jogados do mundo estar indo para o Switch, é a empresa por trás dele: a Tencent.

Que, caso vocês não conheçam, é a maior empresa primariamente de games do mundo. Eu ponho esse “primariamente” porque senão as maiores empresas de games seriam a Apple e a Microsoft, e, convenhamos, games não são o principal foco dessas duas.

Mas, para a Tencent, games são seu principal produto e negócio. Não apenas por ser dona desse Arena of Valor, mas também por ser dona de um desenvolvedor chamado Riot Games, e seu “joguinho” League of Legends.

Deu pra entender agora porque a Riot não processa o Arena of Valor?

Sem contar o fato da Tencent também ser sócia majoritária de um pequeno estúdio finlandês chamado Supercell, criadores de Clash of Clans e Clash Royale.

Outros fatos: as ações dela valem quase sete vezes as da Sony. Em 2016, o lucro líquido dela foi de 6,2 bilhões de dólares, mais do que o Bradesco. No ranking da Forbes das maiores empresas do mundo, ela está na frente da Starbucks, da TimeWarner e da VISA! Tá dando pra visualizar o tamanho da Tencent? É ridículo. No fundo, discutir o mercado de games focando em Nintendo, Playstation e Xbox é o mesmo que discutir o mercado de fast-food focando nos dois carrinhos de cachorro quente na esquina e fingir que o McDonald’s não existe. Mas, como eu gosto muito desses cachorros-quentes, continuarei falando deles.

Voltando ao anúncio no Direct, deu pra entender agora por quê eu fiquei surpreso? Essa empresa gigantesca de games está trazendo um dos jogos mais jogados do mundo para o Switch, e isso é o tipo de coisa que surpreende. Ainda mais quando lembramos que esse será um dos primeiros lançamentos para console no ocidente da Tencent, o que mostra que ela acredita no Switch.

Assim chegamos ao mais importante em relação a esses dois anúncios: eles sinalizam que uma parte significativa da indústria está apostando no Switch, o que é um bom sinal para o futuro da máquina e da Nintendo.

Apoiar um console durante seu primeiro ano não é uma decisão tão simples assim para as third-parties. É difícil prever se a máquina vai vender bem e qual o tipo de público que ela vai atrair, então todo jogo que elas lançam nesse período é um certo risco. Por isso que muitas testam primeiro com uma franquia mais conhecida, como FIFA, ou com um remake, como Skyrim.

Por isso, quando uma third-party investe em vários jogos ou em uma franquia nova durante esse início de vida de um console, ela demonstra acreditar na máquina, e que o risco vale a pena.

Logo, quando uma das maiores e mais respeitadas desenvolvedoras ocidentais e a maior empresa de games do mundo apostam num console, a mensagem é ensurdecedora, e as demais ou ficam incomodadas por achar que vão chegar tarde na festa e perder todo o lucro potencial ou ficam mais seguras para lançar seus jogos por saber que essas pioneiras aumentarão a base instalada do console.

Conseqüência: mais jogos para o Switch, de diversas desenvolvedoras third-party.

Lista de parceiros do Switch mostrada em janeiro, no Switchmas. Toda vez que olho pra ela, foco na From Software…

Pela primeira vez desde o Super NES, um console da Nintendo pode ter um apoio decente e excitante das third-parties, já que no Wii tivemos um monte de shovelware e tivemos que nos contentar com um Castlevania de luta e um Soul Calibur de ação hack-and-slash. Não, eu jamais irei me conformar com isso.

Claro que essa é a uma leitura otimista da situação. Pode muito bem acontecer dos jogos da Bethesda e o Arena of Valor fracassarem no mercado, e todo o suporte delas sumir do Switch.

Todavia, sinto que as third-parties vão fazer uma diferença real no Switch. Sim, desta vez vai. E elas não vão afetar só o desempenho do console no mercado, pois acho que muito fã clichê da Nintendo, como eu, que só compra primariamente os jogos first-party, vai finalmente ter acesso à experiências que antes só existiam nos outros consoles e vai mudar os próprios hábitos videogamísticos. Eu, pessoalmente, estou sinceramente animado por poder jogar Splatoon e Doom no mesmo console.

Enfim, é por isso que, para mim, esses dois anúncios foram os mais marcantes do Direct. Mas e você? O que te chamou a atenção na apresentação? Você também compartilha da minha visão otimista para o futuro do Switch? E você conhecia a Tencent? Deixe seu comentário aí e…

Até a próxima!

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