11 ago

Sobre Snake Pass

Então, como esta é a primeira análise/review do canal, quero fazer uma rápida introdução. A idéia principal delas será, obviamente, apresentar a minha opinião sobre o jogo em questão, mas ao invés de dissecar diversos aspectos dele e declarar um veredito absoluto quanto à sua qualidade, vou focar naquilo que considero seu principal diferencial (ou, como eu gosto de chamar, a sua “sacadinha”) e depois falar para quem eu o recomendaria. Por causa disso, não darei notas, até porque elas não ajudam muito, como já falei antes.

Outro aspecto importante é que vou tentar focar mais em jogos, digamos, “menores”, seguindo a linha d’Os Melhores Games Que (Quase) Ninguém Jogou™. Todo mundo já tem uma opinião formada sobre Zelda ou Assassin’s Creed ou GTA, minha recomendação não faz a menor diferença no esquema geral das coisas. Por isso, prefiro indicar esses jogos mais desconhecidos ou nicho, ajudando quem quer coisas mais “alternativas”.

Enfim, acho que isso era tudo que eu tinha pra explicar. Vamos então para a primeira análise/review do canal do Gamer Sensato!

Esta é a transcrição do vídeo de mesmo nome que está no meu canal do YouTube. Vão lá conhecer!

A análise/review de hoje é sobre Snake Pass, um jogo de plataforma com elementos de puzzle em que controlamos uma cobra chamada Noodle que, com a ajuda de seu amigo beija-flor Doodle, precisa encontrar McGuffins mágicos para salvar o mundo.

A grande sacadinha do jogo é que Noodle é uma cobra, e como cobras se movem de maneira cobresca, seus controles são bem diferente do padrão normalmente encontrado em jogos do gênero. Temos que aprender a rastejar, enrolar e nos prender às diversas formas cilíndricas convenientemente espalhadas pelo mundo para conseguirmos passar pelas fases.

Por causa disso, Snake Pass é um jogo que demanda muita paciência, pois controlar Noodle não é uma tarefa simples. É preciso dedicação e tempo para realmente aprender a movê-lo de maneira eficaz, e se você quiser ir atrás dos diversos itens colecionáveis espalhados pelas fases, você vai ter que explorar tudo quanto é canto e se preparar para enfrentar diversos momentos de frustração ao topar com desafios que parecem ter sido planejados por um sádico com uma unha encravada.

Complicando ainda mais a situação, a câmera do jogo não coopera. Várias vezes tive que fazer jogadas cegas por não ter como ver o meu objetivo, assim como outras tantas vezes a câmera simplesmente dava umas guinadas estranhas e eu não conseguia olhar direito em volta do Noodle. Sabem quando a câmera bate num pilar ou numa parede e de repente fica colada no seu personagem? Disso que estou falando.

O maior inimigo de Snake Pass, e provavelmente de toda a história dos games.

E, como se não bastasse, os check points deste jogo são revoltantemente mal localizados, principalmente nas fases finais. Você vai, sofre pra burro pra conseguir passar de uma parte complicada, cheia de plataformas móveis e vento e sei lá o que mais para pegar uma das moedas douradas colecionáveis do jogo para, em seguida, encontrar uma seqüência pior ainda de obstáculos, e nenhum check point entre elas. E adivinha o que acontece quando você morre nessa segunda parte? Você tem que fazer a primeira parte e pegar a moeda dourada de novo. É bem frustrante.

Ouvindo eu falar assim deste jogo, parece que eu detestei ele.

Só que não.

Eu adorei Snake Pass. Quero dizer, estou aliviadíssimo que o terminei e não vou precisar jogá-lo nunca mais, mas eu adorei o tempo que tive com ele.

Porque é o seguinte: os controles são complexos, mas são justos. Eles fazem sentido. Dá pra aprender eles. Eles tem um propósito válido, de representar a maneira como uma cobra se move pelo ambiente. Não são aquela bosta que tem em Star Fox Zero, que não fazem o menor sentido diegético e parecem ter sido implementados só pelo prazer de ter controles complicados e burros. Snake Pass funciona.

Eu sinceramente senti que o tempo que investi aprendendo a controlar Noodle foi recompensado, pois realizar os extraordinários atos de destreza cobresca que o jogo exige é algo tremendamente satisfatório. Vencer os desafios criados pelo sádico com uma unha encravada me fez sentir como o grande deus dourado do videogame, o pica das galáxias digitais.

Por isso que, mesmo com seus problemas, no final das contas, eu gostei de Snake Pass.

Recomendação

Snake Pass é um jogo em que o desafio se encontra na execução, e não na solução, por se assim dizer. Você não vai ter momentos “eureka”, mas vai ter muitos momentos “puta que pariu não acredito que consegui fazer isso”. E você vai penar bastante pra chegar neles.

Por isso, se você está em busca de algo mais sossegado ou mais automático, um jogo pra brisar e relaxar, eu não recomendo Snake Pass.

Agora, se você gosta de testar a sua destreza videogamística, eu recomendo e muito Snake Pass. Mesmo com seus problemas de câmera e de check points, ele é um jogo muito legal. Mais importante ainda, sua dificuldade é justa. Sim, eu falei que algumas partes parecem ter sido criadas por um sádico com uma unha encravada, mas esse sádico não é um escroto. Seus desafios são difíceis, mas ele não está ativamente querendo te ferrar, ele não está escondendo um bloco invisível que você vai bater e cair num poço de espinhos que não tinha como você saber que estaria ali. Sério, é um jogo que dá pra ganhar. Basta ter paciência e se dedicar a aprender os controles.

Enfim, isso que achei de Snake Pass. Espero que minha recomendação seja útil. E, se você já jogou e concorda ou discorda da minha opinião, por favor, deixe seu comentário aí e…

Até a próxima!

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