22 jun

Sobre a E3 2017

Muito bem, pra quem não acompanha o blog no YouTube, por que não? É legal! Vídeos! São legais! Vai lá se inscrever nele! Até porque você perdeu todos os meus vídeos comentando a E3 2017. Mas, se você realmente prefere a versão texto deles, aqui está a transcrição de todos eles num mega-post sobre o evento. Divirta-se!

Conferência da EA

Então, tivemos a conferência da Electronic Arts, ou EA para os investidores, da E3 2017. Aqui está o que achei dela.

Muito bem, como alguém que não joga jogos de esporte sem o Mario, jogos de corrida sem o Mario e first-person shooters sem a Samus, não tenho opiniões muito fortes sobre o que foi anunciado, mas como fã de Star Wars, devo dizer que a campanha single-player do Battlefront 2 parece muito legal. A perspectiva de jogar como uma comandante do Império pós-Retorno de Jedi e ver como a Primeira Ordem foi construída é tremendamente excitante, por mais que eu não vá jogar o jogo, já que ele não vai sair pro Switch. Alguém com certeza vai pôr no YouTube um resumão, daí eu consigo pelo menos saber da história, mesmo que o ideal fosse jogar.

Outra observação rápida ligada a Star Wars: interessante como até nos games a franquia está criando histórias focadas em mulheres, o que é muito legal mesmo, tanto pela questão de representatividade quanto pela questão de variar o ponto de vista central das narrativas.

Algo que também me chamou muito a atenção foi o foco em campanhas single-player, não apenas em Battlefront 2, mas também nos jogos de esporte. Ano passado eles alardearam bastante o modo história do FIFA, chamado The Journey, em que jogamos a carreira de um jogador de futebol, e isso parece que deu muito certo, pois teremos a mesma coisa em Madden 18, com o modo Longshot e em NBA Live 18 com o modo The One, assim como haverá a segunda temporada do The Journey no FIFA 18.

Além desses jogos, vimos um pouco do Need for Speed Payback, que parece um jogo de Velozes e Furiosos (mas sem o Rock), a nova expansão do Battlefield 1 e um teaserzinho do Anthem, a franquia nova da Bioware.

Mas o jogo que mais me chamou a atenção foi, sem dúvida, o A Way Out. Do criador de Brothers: A Tale of Two Sons, em que um jogador controlava dois personagens ao mesmo tempo, temos um jogo que só possui modo co-op, tanto local quanto online. Parece muito interessante, pois tão importante quanto o que acontece na tela é o que os dois jogadores discutem entre si a cada momento, pois o jogo só avança depois dos dois entrarem em consenso.

Ele se passa na década de 70 nos Estados Unidos e conta a história de dois caras que se conhecem na prisão e como eles fogem de lá para reencontrar suas famílias. Uma sacada narrativa dele é que ele mostra sempre os dois pontos de vista dos personagens em paralelo. Um exemplo mostrado foi uma cena em que um dos personagens não podia se mexer, e para seu jogador era exibido uma cutscene, enquanto que o outro podia andar em volta para observar o que acontecia com o primeiro de outros ângulos. Me pareceu bem legal.

Todavia, o que mais ajudou a vender A Way Out foi o criador do jogo, Josef Fares, que era uma das duas únicas pessoas que pareciam querer estar ali na hora, a outra sendo a atriz da personagem principal de Battlefront 2, Janina Gavankar. Esse foi o grande problema da apresentação como um todo, tudo parecia mecânico e superficial demais. As pessoas subiam no palco, falavam monotonamente sobre gráficos e eSports e comunidades e o Cristiano Ronaldo e sei lá o que mais e… THBPBPTHPT. Foda-se.

Agora o Josef parecia estar realmente muito empolgado de mostrar o filhote dele para o mundo, falando de como o jogo era divertido e o time dele estava realmente criando uma coisa especial. A Janina, por sua vez, começou atuando como a personagem do jogo, mas a partir de um ponto ela deixou isso um pouco de lado e deu pra perceber que ela estava num estado “Não acredito que sou um personagem em um jogo de Star Wars e estou aqui falando dele, puta que pariu, tô tão feliz e nervosa ao mesmo tempo!”, e achei que isso deixou a apresentação toda um pouco mais humana. O que é bom, pelo menos na minha opinião.

Enfim, isso que achei da apresentação da EA.

Conferência da Microsoft

Então, tivemos a conferência da Microsoft, e eu tenho opiniões.

Muito bem, a Microsoft falou de mais de quarenta games na sua conferência, além de ter revelado mais sobre o Scorpio, e se eu for falar de cada coisa separadamente, vou ficar aqui até a E3 do ano que vem, então vou focar em um aspecto que, para mim, permeou todo o evento.

Antes, um comentário mais geral sobre a apresentação: achei ela muito boa, foi jogo atrás de jogo e poucas datas de lançamento, seguindo bem o esquema da Sony, acredito que ela vai conseguir gerar bastante hype. As minhas duas maiores surpresas foram o Player Unknown’s Battleground exclusivo e o suporte aos jogos do Xbox original, acho que são duas coisas que podem conquistar novos consumidores e alegrar muito os atuais. Ter conseguido associar o Xbox com o Anthem foi uma vitória pra Microsoft, assim como associar o PS4 com Destiny foi uma pra Sony, e acredito que a competição vai ser interessante.

Vamos então para o aspecto que senti por toda a apresentação. Comecemos com o Scorpio, agora conhecido como Xbox One X. Para facilitar minha vida, vou chamá-lo pela sigla daqui pra frente, XOX (Chóchi).

Pessoalmente, não me incomodei tanto com o nome, mas entendo boa parte das críticas que li por aí. A principal delas é que o nome geraria uma confusão na cabeça do consumidor médio porque é muito parecido com Xbox One S, tanto que até vi uma pessoa comentar que a Microsoft acabou de anunciar o WiiU.

Todavia, esse aspecto da confusão na cabeça do consumidor médio não deve preocupar a Microsoft porque o público-alvo do XOX é o mais hardcore dos gamers hardcore, e esse público não vai se confundir na hora de comprar o próprio console.

Esse foco no gamer hardcore fica ainda mais evidente quando levamos em conta o preço, de US$500 (arredondado), que é consideravelmente alto. Infelizmente, o meu chute delirante do console custar US$400 não se realizou, mas ele era delirante por um motivo: o XOX deve ser bem caro de produzir, e ele está sendo vendido como um tipo de produto de luxo.

Mas há um grande problema no caminho do XOX, que eu já vou explicar qual é.

Antes, uma perguntinha rápida: por que o Xbox One está vendendo tão menos que o PS4, sendo que o X360 vendeu mais que o PS3?

Porque a Microsoft esculhambou a imagem do console na época do lançamento. A máquina foi apresentada como um centro multimídia pra toda família que também joga games, e isso afastou boa parte dos gamers hardcore. Pra piorar, ele também ganhou a fama de ser “fraco” e com poucos jogos exclusivos.

Mas, nos últimos anos, a Microsoft esteve se desdobrando pra mudar isso, voltando a focar nos games e praticamente ignorando as funções multimídia do console.

E, para resolver a questão da “fraqueza”, ela anunciou o XOX, e ficou alardeando como ele é “o mais poderoso console já criado”.

O que nos leva ao último problema: a falta de jogos exclusivos. Esta conferência foi basicamente uma hora e quarenta minutos dela martelando nas nossas cabeças que esses exclusivos estão vindo. Só que esses exclusivos também saem pra PC. E esse é o problema no caminho do XOX.

Por causa da iniciativa da Microsoft de emparelhar os lançamentos em consoles e PCs, ela não consegue mais afirmar que os jogos para o Xbox One são realmente exclusivos. Sim, ela pode até estar empatando a briga de exclusivos contra o PS4, mas se alguém têm um PC poderoso o bastante, ele ou ela tem acesso a todos os jogos do Xbox, dispensando a necessidade de comprar o console.

E quem teria um PC poderoso o bastante? Os mais hardcore dos gamers hardcore. Mais ou menos o mesmo público alvo do XOX.

Portanto, de uma maneira estranha, um dos maiores competidores do XOX é o Windows, pois eles têm os mesmos jogos e mais ou menos o mesmo público alvo, pelo menos em relação a gamers.

A esperança do XOX é que esse “mais ou menos” faça a diferença, pois existem sim muitos consumidores que são gamers hardcore mas que não tem saco pra lidar com hardware e ficar upgradeando o próprio PC, preferindo uma máquina fácil de instalar e sair jogando.

A pergunta é se esses consumidores são o bastante para sustentar o XOX. Vamos descobrir dia sete de novembro, quando ele lança.

Enfim, isso que achei da conferência da Microsoft.

Conferência da Bethesda

Então, tivemos a conferência da Bethesda e eu tenho muito a dizer!

…Sobre os controles de movimento em Skyrim para o Switch.

PUTA QUE PA-

Seguinte: como fã da Nintendo, meu acesso aos jogos da Bethesda sempre foi… inexistente. Por isso, a maior parte dos anúncios dela não me afetaram muito, até porque todos foram ou continuações de séries que nunca joguei ou expansões de jogos que não tenho como jogar.

Isso não quer dizer que eu não tenha ficado, digamos, impressionado com os anúncios. Aquele trailer do The Evil Within 2 está me perturbando até agora, e o Wolfenstein 2 não apenas me parece muito legal como também é muito apropriado para o clima político atual da Trumplândia, com seu tema de retomar a América dos nazistas. Como sempre, os jogos da Bethesda me parecem muito legais, muito bonitos, mas não são exatamente o tipo de jogo que gosto, e tudo bem, a vida é assim, nem todo mundo gosta de tudo. Agora que estou pensando, deve ser assim que pessoas não fãs da Nintendo devem se sentir ao ver os anúncios da Nintendo.

Todavia, pela primeira vez, houve um anúncio relacionado com consoles Nintendo, o trailer novo de Skyrim para o Switch.

Muito bem.

Seguinte.

Como fã da Nintendo, tem duas coisas que eu já percebi que toda santa third-party faz pra tentar conquistar o público Nintendo.

A primeira delas, que às vezes funciona e às vezes não, é incluir algum conteúdo relacionado à alguma franquia da Nintendo. Um exemplo ruim, na minha opinião, foi NBA Street V3, em que o Mario, a Peach e o Luigi são personagens jogáveis e ficam estranhíssimos ao lado dos demais jogadores de basquete com suas proporções realistas.

No caso de Skyrim, achei que a Bethesda escolheu bem, em que podemos destravar itens relacionados à Zelda usando amiibo. É uma escolha que faz sentido, as duas séries possuem uma ambientação de fantasia medieval e a coisa toda funciona bem o bastante, por mais que o personagem de Skyrim pareça um cosplayer perdido.

Enfim, são bobagenzinha divertida que alegram o fã da Nintendo, por mais que não sejam realmente um fator decisivo na hora da compra.

Agora, a outra coisa que third-parties fazem e que noventa porcento das vezes fica uma merda é tentar forçar a sacadinha do console Nintendo no jogo.

Pra ser justo, a própria Nintendo faz isso às vezes, como naquela pilha de lixo fumegante chamada Star Fox Zero, mas muitas vezes eu fico estarrecido com as decisões que third-parties tomam com as versões Nintendo dos seus jogos.

Os dois maiores exemplos que gosto de citar são Castlevania Judgment e Soulcalibur Legends, ambos para o Wii. Vejam bem, nós temos um Castlevania de luta e um Soulcalibur de ação e aventura. Castlevania, uma série de ação e exploração ganhou um jogo de luta e Soulcalibur, uma série de luta, ganhou um jogo de ação. Os desenvolvedores de Castlevania olharam para o Wiimote e chegaram à conclusão que o melhor que eles conseguiam fazer para a série era um jogo de luta enquanto que os desenvolvedores de Soulcalibur olharam pro Wiimote e chegaram à conclusão que o melhor que eles conseguiam fazer com a série era um jogo de ação.

Puta. Merda.

Eu sei que é legal quando desenvolvedores se esforçam para repensar suas criações e criam spin-offs interessantes. E, pelo que ouvi falar, o Castlevania Judgement é bem divertido.

Mas o problema é que isso funciona melhor quando existe um jogo mais clássico da série pra acompanhar o spin-off. E isso não acontecia nos consoles Nintendo, nós sempre ficávamos só com os spin-offs. Imagina, a própria Nintendo está fazendo isso com Metroid, lançando spin-off bosta e esquecendo da série principal.

Todavia, esse não é o caso de Skyrim pro Switch, não é mesmo? Afinal, esse é o Skyrim de verdade, o mesmo jogo que saiu para os demais consoles.

Só que com uma diferença: novos controles de movimento.

Pra podermos imergir melhor no mundo do jogo, fazendo movimentos de espada, escudo e arco e flecha.

Ok.

Eu sei que esses controles são opcionais, e que eles podem até ser divertidos.

Mas a questão é: a experiência principal do jogo não precisava disso pra engrandecê-la ainda mais. Do meu ponto de vista, eles não estavam realmente pensando em como melhorar o jogo, mas sim em como convencer mais fãs da Nintendo a comprá-lo.

E isso parece um tipo de descaso, como se a desenvolvedora third-party tivesse olhado pra nós, fãs da Nintendo, e concluído que compramos os consoles Nintendo por causa das sacadinhas, e por isso é melhor pôr a sacadinha de qualquer jeito no jogo.

Só que não. Errado. Vai tomar no cu. Compramos consoles Nintendo porque com eles temos acesso a bons jogos. E acontece que muitas vezes um jogo bom sabe usar a sacadinha do console de maneira inteligente. É só perguntar pro time de ZombiU na Ubisoft.

Por isso, quando a Bethesda mostrou os controles de movimento em Skyrim, toda essa minha raiva contra third-parties preguiçosas que eu reprimi nos últimos anos saiu do âmago do meu ser e voltou com tudo. Acho que ter vindo da Bethesda também ajudou a me irritar, que já estou acostumado com a EA fazendo isso, mas eu esperava mais da Bethesda.

Eu sei que tudo isso está na minha cabeça, e que é mais um problema pessoal meu, e que é possível que esses controles de movimento tornem essa a versão definitiva de Skyrim.

Mas eu duvido muito.

Enfim, desculpa por usar este vídeo, que era pra ser sobre a conferência da Bethesda, pra descarregar uma raiva pessoal relacionada à Nintendo. Mas foi o que mais me chamou a atenção na conferência dela.

Conferência da Ubisoft

Então, para uma empresa que deixa vazar tudo, a Ubisoft conseguiu surpreender muita gente! Incluindo eu!

Quem diria. Foi uma conferência muito boa. Tivemos mais Assassin’s Creed Origins (mas não muito), um cachorro que rouba armas em Far Cry 5, um jogo multiplayer novo de piratas, Skull and Bones, lanchas e aviões em The Crew 2, South Park pro celular, o que pode criar umas piadas metalingüísticas muito boas, outro Just Dance para o Wii e um troço esquisitíssimo em realidade virtual com o Daniel Radcliffe (nota: eu sei que é com o Elijah Wood, estou fazendo uma piada tonta).

Mas os jogos que mais me surpreenderam, e que também surpreenderam boa parte da internet, foram Mario+Rabbids, Starlink: Battle for Atlas e, obviamente, Beyond Good and Evil 2. O interessante é que eles surpreenderam por motivos diferentes, e é disso que eu queria falar neste vídeo.

Comecemos com Mario+Rabbids, um jogo cuja existência vazou há alguns meses e que toda a bolha nintendística já sabia que existia. Dependendo do nível de profundidade dentro da bolha, você até já sabia que era um jogo de estratégia de turno.

Antes da conferência, eu via pela internet muita revolta contra esse jogo, muita gente já estava determinada a odiá-lo antes mesmo de sabermos mais. Pessoalmente, não tinha nenhuma emoção muito forte, só estava curioso porque estratégia de turno é um tipo de jogo que eu adoro. Acho que é porque não me incomodo tanto com os personagens dos Rabbids, que basicamente são os Minions franceses.

Só que agora, depois do anúncio oficial, muita gente mudou de posição e estou vendo um pessoal efetivamente ansioso pelo jogo, incluindo eu. Nunca imaginei que quisesse um Mario XCOM, mas aparentemente eu quero! Um monte de gente quer!

Foi assim que a Ubisoft surpreendeu todo mundo com um jogo que já havia vazado e que era odiado na internet: fazendo-o num gênero realmente inesperado. Muitos presumiam que seria um party game mercenário com minigames toscos, a opção mais óbvia ao pensarmos nos dois universos do crossover, mas a Ubisoft achou um gênero imprevisível e conseguiu mudar a opinião de muita gente. Sem contar que ouvindo os desenvolvedores falando, dá pra ver que eles gostam e acreditam de verdade no jogo. Não foi uma idéia de um executivo desconectado da realidade que só fica pensando em lucro e iates, foi uma doideira de um desenvolvedor empolgado.

Sem contar que ainda teve o Miyamoto no palco. Foi bem legal.

Vamos agora para Starlink: Battle for Atlas. É uma franquia nova da Ubisoft que envolve combates espaciais em que usamos navezinhas de brinquedo para modificar as habilidades das nossas navezinhas no jogo. Sim, é mais um jogo toys-to-life, que nem Skylanders e Lego Dimensions.

Imagino que este jogo não tenha repercutido que nem Mario+Rabbids e Beyond Good & Evil 2, mas eu não estou brincando: na hora que apareceu a primeira navezinha de brinquedo, eu fiquei em choque, olhando para o trailer e perguntando “o quê?” repetidamente. Quando paro pensar um pouco mais, eu volto a ficar estarrecido. Sério, como esse jogo existe?

E por que estou tão impressionado com este jogo?

Porque é um jogo toys-to-life em 2017! Era pra essa “indústria” estar morrendo! Morta! Disney Infinity morreu! As vendas de Skylanders despencaram! As pessoas só compram os Legos de Dimensions porque são legos legais, não por causa do jogo! O mesmo vale pra amiibo! Sem contar que a maneira como os brinquedos interagem com os jogos nunca foi, assim, realmente inovadora depois da idéia inicial de Skylanders.

Mas aí a Ubisoft vem e anuncia um jogo toys-to-life que parece realmente interessante, em que mudamos partes da nossa navezinha durante o combate pra nos adaptarmos aos diferentes desafios do jogo. Sem contar que as navezinhas parecem legais.

Não sei se este jogo vai ser bom, ou se ele vai vender bem. Mas eu realmente tenho que dar crédito a ela por estar desenvolvendo um jogo de um gênero que está praticamente morto porque, aparentemente, ela acredita na idéia. Se fosse por uma questão financeira, esse projeto teria sido cancelado ano passado, mas o fato deles estarem insistindo e terem anunciado ele nesta E3 mostra, pelo menos pra mim, que a Ubisoft acredita no jogo. E isso é realmente surpreendente.

Ou eles tem uns analistas de mercado e tendência realmente ruins. Mas acho que eles acreditam na idéia.

Assim chegamos ao último jogo, Beyond Good & Evil 2. O grande anúncio megaton da Ubisoft.

Muito bem, hora da confissão: não joguei o primeiro. Já ouvi falar maravilhas dele, mas nunca joguei, tanto que eu ia ficar muito feliz com um remake HD ou coisa parecida pro Switch. Mas imagino que eles prevejam que muitos não jogaram o original e farão o jogo bem acessível pra quem não conhece.

De qualquer maneira, Beyond Good & Evil 2 possui uma longa história ligada ao seu desenvolvimento, e com muitos rumores misturados também, mas basicamente é o seguinte: ele já foi anunciado antes, com trailer e tudo mais, daí desapareceu por anos, com a Ubisoft afirmando que o jogo ainda existia até que ano passado o criador, Michel Ancel, finalmente confirmou que o jogo voltou à produção e agora, finalmente, temos um trailer novo pra ele.

Por causa dessa epopéia toda, muita gente ainda não acreditava que esse jogo realmente existisse, por isso que o trailer realmente surpreendeu o mundo. Foi equivalente à ressurreição de Last Guardian.

Todavia, existe mais um detalhe que ajudou a aumentar a surpresa toda: Ancel afirmou no seu Instagram, alguns meses atrás, que não achava a E3 o lugar ideal para demonstrar Beyond Good & Evil 2, o que levou muitos, incluindo eu, a acreditar que o jogo não estaria pronto pra ser exibido ao público a tempo da E3, e por isso esquecemos dele na hora da conferência.

Só que, como agora sabemos, Ancel estava sendo propositalmente ambíguo para poder pegar todo mundo de surpresa. Que vejam bem, ele só falou que não achava a E3 ideal para mostrar o jogo, e não que o jogo não estaria na E3. É um safardana, esse francês.

Quero dizer, é possível que ele tenha mudado de idéia no meio tempo entre esse post no Instagram e a E3, mas algo me diz que esse tipo de trailer demora mais de dois meses pra fazer. Enfim, a questão é que deu certo e todo mundo foi pego de surpresa com Beyond Good & Evil 2.

Essas foram as três principais surpresas, para mim, da conferência da Ubisoft. A primeira todo mundo sabia que existia, mas eles nos surpreenderam ao escolher um gênero pouco óbvio. A segunda é de um gênero que todos davam como morto, mas que mostrou que ainda dá pra ter boas idéias nele. E a última foi a gloriosa ressurreição de um vaporware, ajudada por uma mentirinha online.

Eu tirei sarro no meu vídeo de previsões que tudo sobre a Ubisoft vaza, mas ela mostrou como isso não importa tanto assim, pois ela confiava na qualidade dos jogos que tinha pra exibir. E, dessa maneira, ela conseguiu surpreender a todos.

Enfim, isso que achei da conferência da Ubisoft.

Conferência da Sony

Então, tivemos a conferência da Sony, e… eu não tenho muito a dizer, pra falar a verdade.

Muito bem. Não é que eu tenha achado a conferência da Sony ruim, ou que eu não tenha gostado dos trailers apresentados, muito pelo contrário, o jogo do Homem-Aranha foi espetacular (há! Espetacular? Homem-Aranha? Pegaram?), e o God of War novo me parece realmente interessante, além do anúncio do Monster Hunter World, ou como gosto de chamar, o Monster Hunter para não-japoneses, que me pegou de surpresa.

A questão é que também não achei ela propriamente boa também. Nada realmente me empolgou muito. Se for sincero, fiquei mais animado/surpreso com o anúncio de Undertale para PS4 e Vita que eles fizeram antes da apresentação do que com o que esteve na conferência. No fim, foi um evento meio sem sal, sem muitas surpresas, sem muitas informações novas e sem momentos realmente marcantes. Tanto que estou penando horrores pra conseguir escrever um texto minimamente interessante aqui, caso não tenham percebido.

Agora que estou pensando, isso pode ter sido uma reação às principais críticas que a empresa recebeu nas últimas E3, que ela só anunciava jogos pro futuro distante pra gerar hype e não dava nada concreto para os gamers a curto e médio prazo. Então ela preferiu reforçar o que já sabíamos e dar algumas datas de lançamento, a maioria pra 2018, do que revelar, sei lá, Bloodborne 2 ou PlayStation All-Stars Battle Royale Melee.

No final das contas, acho que fiquei decepcionado. Não porque os jogos fossem ruins, mas porque a Sony nos últimos anos sempre tinha algo grandioso pra apresentar na E3, e este ano foi meio… normal. Nada de mais.

Enfim, isso que achei da apresentação da Sony. Eu juro que me esforcei pra achar um lado positivo nela, e não achei muito, pelo menos não pra mim.

Nintendo Spotlight

Então, finalmente chegamos à parte mais importante de toda E3 2017: o anúncio de Metroid Prime 4!

Aleluia!

Ah, e o resto dos anúncios no Spotlight da Nintendo.

Muito bem, eu tenho muito, mas muito mesmo, a dizer sobre Metroid Prime 4, e até poderia comentar cada santo jogo que a Nintendo anunciou, mas agora, neste vídeo, quero falar do Spotlight em si. Mais especificamente, quero falar sobre a estratégia da apresentação da Nintendo, ou pelo menos o que eu acho que ela planejou pra apresentação.

Comecemos com as “jogadas Sony”, os anúncios de Metroid Prime 4 e do jogo da série principal de Pokémon para o Switch.

Lembram o que eu falei no meu vídeo de previsões? Que a Sony é a rainha da E3 por saber gerar hype só com anúncios, mas não se comprometer com data nenhuma? Foi exatamente isso que a Nintendo fez com esses dois jogos, e deu muito certo. Saiu uma pesquisa de repercussão dos jogos da E3 em mídias sociais e Metroid Prime 4, um jogo que só teve um logo apresentado, ficou em segundo lugar, perdendo apenas para Assassin’s Creed Origins, um jogo que apareceu em duas conferências com diferentes trailers além de ter tido uma demo no evento.

Mas a intenção por trás desses anúncios não é só gerar conversa online, mas também vender o futuro do console e aumentar a percepção de valor dele. Por mais que o que realmente decide a compra de um console seja o “jogo gota d’água”, mostrar que ele é um investimento que trará retorno contínuo ajuda muito. Em outras palavras, mostrar para o consumidor que ele terá o que jogar depois de terminar seu “jogo gota d’água” aumenta sua satisfação, e um consumidor satisfeito volta na próxima geração.

O problema com as “jogadas Sony” é que eventualmente o público começa a perguntar quando é que o jogo lança.

Para cobrir isso, basta anunciar alguns jogos a médio prazo, que foi o propósito dos anúncios de Yoshi e Kirby para o Switch. Eles nem possuem nome ainda, só ganharam um ano como promessa de lançamento, 2018, mas acredito que serão lançados no primeiro semestre do ano que vem. São séries “famosas o bastante”: o suficiente para parecer que tem coisa grande saindo no começo do ano mas não o suficiente para sustentar as vendas no natal, que precisa de um jogo blockbuster.

Tipo Mario.

Melhor ainda: um Mario que controla um tiranossauro e, ao assumir o controle dele, deixa ele de boné e bigode. Espero que os produtores de Jurassic World 2 estejam prestando atenção, que já que eles vão ignorar a ciência e deixá-los sem penas, que coloquem bigode e bonés neles, vai melhorar e muito o filme.

Enfim, o propósito do Mario é mostrar porque o Switch é O presente de natal de 2017. Ainda está na dúvida? Olha como Mario Odyssey é colorido, divertido e DIFERENTE. Por mais que eu não sinta que ele seja uma reinvenção tão grande de Mario quanto Breath of the Wild foi de Zelda, ele é, ao mesmo tempo, familiar e inovador, de uma maneira que pode atrair os fãs relapsos da Nintendo, tanto aqueles que jogaram Super Mario Bros na época do NES quanto aqueles que jogaram Galaxy e new Mario no Wii. Ou pelo menos é isso que acho que a Nintendo espera.

E o que vamos jogar até o lançamento de Mario? Todos estes outros jogos que ela anunciou. Quer jogos multiplayer pra jogar com os amigos em qualquer lugar, já que o Switch vem com dois controles? Tó ARMS, Splatoon 2, Pokkén Tournament DX e Rocket League. Quer experiências single-player pra perder horas da sua vida em outro mundo? Tó Skyrim, Xenoblade Chronicles 2, Fire Emblem Warriors e o DLC de Zelda. Quer se preparar psicologicamente para a insanidade de Odyssey? Tó Mario+Rabbids.

Em outras palavras, o propósito da Nintendo nesta E3 não foi só mostrar que o Switch vai ter jogos grandes, mas sim que ele vai ter jogos grandes regularmente. Esta é a estratégia da Nintendo, vender a idéia de que sempre tem algum jogo de renome sendo lançado pro Switch, combatendo a fama negativa que os últimos quatro consoles dela tiveram: de que não lança nada grande para eles.

Vejam bem, não estou falando sobre lançar jogos de third-parties, ou de lançarem poucos jogos, uma vez que o Wii teve sete trilhões de simuladores de pets diferentes, ou mesmo da qualidade da biblioteca de jogos, mas sim do meme do console Nintendo juntando poeira no canto da sala. Os consoles dela viraram uma piada dentro da cultura gamer, máquinas que só são ligadas duas vezes ao ano e olhe lá, e esta narrativa foi muito prejudicial para a empresa.

Mas agora, com o Switch, ela finalmente está atacando essa imagem negativa com tudo ao anunciar um calendário de lançamentos grandes regulares, daqui até o ano que vem, e mesmo além, quando Metroid Prime 4 lançar, no mesmo ano que Kingdom Hearts 3.

O mais importante agora é ela conseguir cumprir esse calendário. Porque ficar falando que o console vai ter jogo grande lançando direto ela fala desde o Cube, mas pela primeira vez na minha vida como fã bitolado da Nintendo eu tenho a sensação de que não vai ser só da boca pra fora, e que finalmente teremos mesmo jogos grandes pra jogar regularmente.

Enfim, essa foi a estratégia que eu senti a Nintendo implementando no seu Spotlight.

Outras coisas

Então, a E3 2017 veio e se foi. Mas eu ainda tenho observações a fazer sobre ela.

O primeiro assunto que eu queria comentar é eSports nesta E3. Ao assistir as conferências, fiquei com a impressão que muitas empresas querem ter um ou vários eSports, seja a EA com seus jogos de esporte e Battlefront 2, a Bethesda com Quake ou a Nintendo com Splatoon 2, ARMS e Pokkén. Mas, depois, vendo como cada uma falava sobre o assunto, percebi que elas se aproximavam da questão de duas maneiras diferentes. A EA e a Bethesda, assim como a Blizzard e a Riot, querem organizar e financiar ligas e campeonatos, tentando transformar seus jogos em profissões, por se assim dizer. Já a Nintendo só quer que as pessoas saibam que seus jogos existem e quem quiser organizar um campeonato, vai nessa, dependendo ela até dá uma mãozinha. Mas, se for pra ela organizar uma liga milionária e profissionalizar seus jogadores, melhor esperar sentado, que isso não é do interesse dela.

Eu não vou entrar numa discussão semântica aqui, sobre o que é um eSport e se é necessária a existência de uma liga patrocinada pela desenvolvedora pra validar o rótulo, pois na minha opinião qualquer game competitivo é um eSport, imagina, até speedrunning eu considero um eSport.

Tendo dito isto, eu acho que ligas e campeonatos oficiais ajudam muito a fortalecer a comunidade em torno desses jogos, e por isso acho uma pena que a Nintendo esteja adotando essa postura de distanciamento com a cena competitiva. Imagino que ela ache que isso possa acabar atrapalhando a imagem de “jogos para todos” que ela tenta cultivar para si. Todavia, assim como a Copa do Mundo não acabou com o futebol amador de final de semana, acho que ela deveria repensar essa postura dela, pois acho que ser mais amigável com as comunidades que se formam em torno desses games só pode trazer resultados positivos pra empresa.

Enfim, imagino que eSports continue sendo um tema constante nas E3 dos próximos anos, afinal todo mundo quer ter lucros no nível Tencent.

O segundo assunto que eu queria comentar é a descentralização das conferências.

Antigamente, as conferências de imprensa de cada fabricante de hardware eram as grandes fontes de novidades da E3. Lembro bem da época que eu ficava acompanhando live-blogs da conferência da Nintendo apertando o botão de atualizar do browser desesperado pra saber tudo que era anunciado.

Nesta E3, porém, senti que as conferências em si perderam um pouco de importância, pois muita coisa foi anunciada fora delas. Hoje em dia, numa realidade em que a maior parte dos gamers possui internet de alta velocidade, é mais eficaz para as empresas fazer streamings contínuos revelando novidades durante todo o evento, monopolizando a atenção e controlando a mensagem. Foi assim que a Nintendo anunciou Metroid: Samus Returns para o 3DS e a Sony anunciou Undertale para PS4, dois anúncios que com certeza seriam parte da conferência principal em outros anos.

Mas não acho que elas tenham se tornado irrelevantes, como vi algumas pessoas pessoas afirmarem, pois elas ainda possuem uma certa aura que atrai muita audiência. Todavia, consigo ver um futuro em que elas simplesmente deixam de existir e fiquemos apenas com os live streamings direto do evento. Ou, como é bem possível que aconteça, a E3 suma de uma vez e cada empresa faça o seu evento exclusivo.

O terceiro assunto está ligado ao anterior, que é o “rebaixamento” dos jogos indie, principalmente no caso da Sony e da Nintendo. No últimos anos, jogos indie ganharam bastante importância nas conferências, nem que fosse através de uma compilação de trailers. Tivemos uma dessas na da Microsoft, mas a Sony deixou-os para o seu live stream do evento e a Nintendo nem tocou no assunto.

É possível argumentar que deixar os jogos indie lado a lado com os grandes blockbusters, como God of War ou Mario, faça com que eles sumam, e que o ideal é mesmo ter um momento separado para falar deles, mas eu discordo, pelo menos enquanto as conferências ainda tiverem sua aura de importância. Mostrar esses jogos nelas faz com que eles tenham mais chance de conquistar um público e ajudam muito a acrescentar variedade nos lançamentos de cada console. Por isso, acho que a Microsoft está de parabéns por continuar apoiando seus desenvolvedores indie na sua conferência.

Ainda falando sobre as conferências, o quarto assunto que eu queria comentar é o “fator humano” por trás dos jogos.

Eu acredito ser parte da minoria nisto, mas eu gosto de ver os desenvolvedores falando dos seus jogos. Correção: eu gosto de ver os desenvolvedores que sabem falar em público falando com emoções genuínas sobre seus jogos. Por muito tempo, tivemos desenvolvedores e diretores de marketing subindo no palco para vender os jogos, e noventa porcento das vezes fica uma coisa muito falsa, um tipo de discurso elaborado friamente para vender uma lista de fatores que ficam bonitos na parte de trás da caixa do jogo. E isso sempre foi uma merda entediante. Mas tínhamos esses dez porcento de vezes que o desenvolvedor realmente gostava do jogo e falava sobre ele de maneira contagiante.

Nesta E3, tive a sensação que as empresas estão indo numa direção ainda mais impessoal, focando cada vez mais só nos trailers e desencanando dos desenvolvedores e dos diretores de marketing vendendo os jogos. Por um lado, isso é bom, pois assim as conferências ficam mais dinâmicas e menos cansativas, mas, ao mesmo tempo, fico sentindo falta de ver o “fator humano” por trás dos jogos.

Tanto é o caso que, na minha opinião, três jogos que marcaram esta E3 tiveram seu “fator humano” em destaque: A Way Out, com o diretor todo empolgado na conferência da EA, Mario + Rabbids, com o desenvolvedor emocionado ao ser mencionado pelo Miyamoto na conferência da Ubisoft, e Beyond Good & Evil 2, com o criador às lágrimas ao finalmente mostrar um trailer novo também na conferência da Ubisoft.

Sei lá, fico feliz de saber que os jogos que gosto são feitos por pessoas de verdade.

O quinto e último assunto do dia é a conferência da Devolver Digital.

Pois é. Eu caí como um patinho no anúncio deles. Era óbvio, em retrospecto, que era tudo uma grande piada. Se você não assistiu, vai lá ver, dá pra dar umas risadas. Não achei, assim, brilhante, mas é divertido.

Enfim, estas foram as últimas observações sobre o evento como um todo que eu queria fazer. Ainda existem algumas coisas pontuais que pretendo fazer vídeos dedicados para elas, mas por enquanto é só. E você? O que achou da E3? Algum assunto que ainda não comentei te chamou a atenção ? Deixe seu comentário aí e…

Até a próxima!

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