01 jan

Sobre Os Melhores Games Que (Quase) Ninguém Jogou™ 2016, Parte 4 (vídeo)

Esta é a transcrição do vídeo de mesmo nome que está no meu canal do YouTube. Vão lá conhecer!

Então, chegamos ao penúltimo d’Os Melhores Games Que (Quase) Ninguém Jogou™ 2016! Viva!

Só pra lembrar, este é o último a ser apresentado em ordem alfabética, mas não o último dos premiados, pois o último dos premiados foi separado para ser apresentado por último por ser especialmente especial, independente da sua letra inicial. Ok? Ok. Portanto, aqui está ele:

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Ok, na verdade, estou sacaneando um pouco porque não estou aqui para indicar para vocês exclusivamente o Zero Time Dilemma, mas a trilogia Zero Escape, até porque sem ter jogado os dois jogos anteriores, 999: Nine Hours, Nine Persons, Nine Doors e Virtue’s Last Reward, boa parte da magia deste jogo se perde. Portanto, eu vou falar de Zero Time Dilemma, mas na prática estarei falando da série como um todo, e se você se interessar pelo jogo, eu realmente recomendo você ir atrás dos três. Ah, e não preocupa que não vou dar spoiler.

Enfim, Zero Time Dilemma, desenvolvido pela Spike Chunsoft e lançado para 3DS, Vita e PC, é uma mistura de visual novels com escape the room, alternando os dois estilos. Nas partes visual novel, assistimos as interações entre os personagens e fazemos escolhas pelos protagonistas, e essas decisões mudam o desenrolar da história. Eventualmente os personagens ficam presos em uma sala e começa a parte escape the room, em que exploramos o ambiente e resolvemos diversos puzzles até encontrar a saída ou um determinado objeto que avança a narrativa.

Todavia, existe uma grande sacadinha na maneira como o jogo trabalha suas decisões que é muito legal e que é o por que de eu ter escolhido Zero Time Dilemma como um d’Os Melhores Games Que (Quase) Ninguém Jogou™ 2016.

Normalmente, quando jogamos um game em que nossas decisões alteram o rumo da história, nós ficamos “presos” nessa versão da realidade e temos que ir até o fim para ver as conseqüências dos nossos atos. Isso nos leva a criar, por exemplo, um save para ser bom e outro para ser mal, quando queremos ver todas as versões da história.

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Um exemplo disso é a série Shin Megami Tensei, que em muitos jogos dá pra se alinhar com o Diabo ou com Deus (ou com nenhum dos dois, se você se planeja com antecedência).

Só que a história de Zero Time Dilemma encontrou uma maneira de unir todos esses saves em uma única história. Como? Viagem no tempo.

Para avançar certos pontos da história, é preciso informações presentes em outra realidade, e a única maneira de chegarmos lá é voltando no tempo até alguma decisão que tomamos e fazendo uma escolha diferente, mesmo que ela seja, digamos, muito escrota. Tem algumas que envolvem matar alguns personagens e, quando é alguém que gosto, eu sempre fico me sentindo meio mal.

Para completar, existe o elusivo “final bom”, que costura todas as realidades e conclui… tudo, redimindo todos os atos horríveis que você teve que cometer no caminho. E funciona. Pelo menos para mim foi uma conclusão tremendamente satisfatória.

Ou seja, Zero Time Dilemma transforma os diversos playthroughs e finais normais de um video game em uma única história, criando uma experiência muito legal e interessante. Se você gosta de jogos com histórias cheias de decisões, suas conseqüências e diferentes finais, este jogo é um tipo de subversão disso, e eu, pessoalmente, gostei muito.

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Fluxograma das linhas do tempo de Zero Time Dilemma. Peguei esta versão, do comecinho do jogo, pra não dar spoiler.

Agora, o por que de quase ninguém ter jogado ele… pra começar, ele é o terceiro e último jogo da série, então imagino que quem não jogou os anteriores tenha se inibido de tentar este, não sem motivo. Pelo menos a Spike Chunsoft e a Aksys, a distribuidora do jogo aqui no ocidente, lançaram diversas versões dos jogos anteriores em outras plataformas, inclusive vai sair um remaster delas para PS4.

Mas eu acho que o principal motivo por trás de sua obscuridade é o fato dele ser uma visual novel. É um tipo de jogo que é muito popular no Japão, mas que eu sinto que espanta muita gente aqui no ocidente. Não estou querendo dizer que ocidentais estão errados em não gostar ou que japoneses são estranhos por gostar, apenas que este tipo de jogo simplesmente não encontrou um público muito grande por aqui. Diferentes culturas, diferentes gostos. O fato de que muitas visual novels ou são dating sims ou envolvem putaria não deve ter ajudado muito também.

Só que a série Zero Escape conseguiu conquistar uma comunidade de fãs aqui no ocidente, inclusive de pessoas que não gostavam ou nunca tinham jogado antes uma visual novel. O próprio diretor do jogo disse, em uma entrevista, que foram os pedidos dos fãs ocidentais que incentivaram a produção do terceiro jogo, que o estúdio estava na dúvida se valia a pena fazer ou não.

Enfim, eu realmente gostaria que vocês dessem uma chance para este jogo, ou melhor, para esta série, porque ela é uma visual novel diferente o bastante para agradar diversos tipos de pessoas, além de toda essa brincada que ela dá com escolhas e conseqüências em games. Eu, pessoalmente, gostei muito deste jogo, e é por isso que estou aqui premiando-o como um d’Os Melhores Games Que (Quase) Ninguém Jogou™ 2016.

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