29 dez

Sobre Os Melhores Games Que (Quase) Ninguém Jogou™ 2016, Parte 3 (vídeo)

Esta é a transcrição do vídeo de mesmo nome que está no meu canal do YouTube. Vão lá conhecer!

Então, hora do terceiro d’Os Melhores Games Que (Quase) Ninguém Jogou™ 2016! Vamos lá?

Blá blá blá, ordem alfabética, blá blá blá letra T, aqui está:

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Também conhecido como Genei Ibun Roku #FE e como Shin Megami Tensei X Fire Emblem, este JRPG desenvolvido pela Atlus para o Wii U é muito, muito divertido. E muito tonto. Mas tonto de um jeito bom, tonto na medida certa, tonto do jeito que eu gosto, e é por causa de toda essa tontice que eu o nomeio um d’Os Melhores Games Que (Quase) Ninguém Jogou™ 2016.

Para melhor explicar essa tontice, preciso apresentar sua história. Tokyo Mirage Sessions #FE é sobre Itsuki Aoi, Tsubasa Oribe e sua turminha da pesada vivendo aventuras muito loucas para salvar Tokyo, que está sendo ameaçada por Mirages maléficas, entidades de outra dimensão que pretendem consumir todo Performa do mundo, uma energia presente nos seres humanos ligada à criatividade e a capacidade de entreter de cada um, deixando-o à mercê do Romero Britto e do Michael Bay. Para isso, essa galerinha irada se une à Mirages boas, se tornando Mirage Masters, numa relação simbiótica em que eles usam seu Performa para energizar as Mirages enquanto estas, por sua vez, cedem seus poderes e habilidades para que nossos heróis possam combater as forças do mal. Ah, e essas Mirages são personagens de Fire Emblem.

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Minha waifu, a Tharja, antes, em Fire Emblem Awakening, e depois, em Tokyo Mirage Sessions. Ela pode ter até coberto os olhos para não ter mais que olhar pra minha cara, mas ela sempre será minha waifu.

Paralelamente a tudo isso, Itsuki e seus amigos do balacobaco também precisam cuidar de suas carreiras como artistas no concorrido show biz japonês, alguns como músicos irados e outros como atores supimpas. Como seu crescimento profissional e artístico fortalece seu Performa, tudo se conecta e se ajuda para a salvação da humanidade.

Não é a história mais magnificamente estúpida que vocês já ouviram?

Sério, é muito tonto. Se eu posso dar um spoiler básico, uma das personagens, se você faz todas as sidequests relacionadas a ela, ganha o Oscar de melhor atriz nos créditos finais do jogo. É muito tonto.

Não apenas tonto como muito clichê, pois todos os personagens são algum estereótipo básico de animê/JRPG. Pra começar, o protagonista é aquele pongo que não saca os sentimentos das noventa garotas à sua volta. Daí tem a amiga de infância apaixonada. A estudante transferida. A “como se fosse a irmã mais nova”. A “legal demais para mostrar meus sentimentos”. A mulher mais velha gostosona que não casou ainda. O melhor amigo de infância empolgado. O rival que não entende o valor de trabalho em equipe mas que muda de idéia. Tem até o gaijin otaku idiota que acha tudo ligado a Akihabara o máximo.

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É como se eu estivesse vendo uma versão loira minha de alguns anos atrás, quando eu era mais weeabo na no da.

E eu adoro todos esses personagens tontos e sua aventura tonta. Mas vejam bem: eu não acho a história ruim. Muito pelo contrário, eu gosto dela de verdade e acho que ela cumpre muito bem o seu papel, de ser simples e divertida, sem nenhum problema maior do que ser, digamos, basicona. E meio clichê.

Há um detalhe importante, porém, que me faz gostar tanto da história de Tokyo Mirage Sessions #FE: ela não se leva a sério. Jogando o jogo dá pra perceber que essa superficialidade dela é proposital, que a intenção dos desenvolvedores era fazer um entretenimento rápido e tonto, justamente para complementar o fato de que ela gira em torno da indústria do entretenimento.

Não, não estou falando que o jogo está fazendo secretamente uma crítica profunda e complexa sobre a leviandade da mídia das massas que evita gerar questionamentos nos espectadores, mantendo-os inertes em relação aos reais problemas da sociedade, mas que o jogo sabe que é apenas um entretenimento simples, e que não quer nem precisa passar uma mensagem ou coisa parecida. Ele só quer contar essa aventura tonta desses personagens tontos.

Falando neles, eles são o elemento final que fazem com que a tontice da história funcione. Porque eles acreditam. Com a intensidade de mil sóis. É impressionante como eles levam a sério a situação absurda em que estão inseridos, e eu gosto disso. Uma das coisas que mais me desprendem de uma história é quando os personagens não parecem se importar com porra nenhuma, deixando a história vazia e sem foco, atirando para todos os lados em busca de seqüências espetaculares protagonizadas por um bando de cuzões que parecem estar cheirando um peido eterno e que me dão sono.

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Um cuzão cheirando um peido.

Já os nossos heróis super relacionáveis de Tokyo Mirage Sessions #FE se importam. Eles realmente querem ir lá salvar o mundo, cantar enka e se tornar o próximo Kamen Rider. Eu não sei quanto à vocês, mas eu gosto de ver pessoas se dedicarem a alguma coisa que elas gostam, me faz imaginar como deve ser viver com um propósito na vida. Até tem um termo em alemão pra essas pessoas, Trabalhadorzencomtezaumzung. Quem sabe, algum dia serei um Trabalhadorzencomtezaumzung.

Todavia, não é apenas a tontice do jogo que é boa, o sistema das batalhas também é muito legal. A princípio, ele é de turno, bem clássicão mesmo, e existe toda uma lógica de forças e fraquezas entre os tipos de ataques e resistências emprestado de Shin Megami Tensei e de Fire Emblem, mas a grande sacadinha dele são os Session Attacks. É um esquema de combo em que um personagem inicia um ataque especial e, se algum dos demais tiver um ataque que o complementa, ele ataca em seguida, sem gastar o próprio turno, e depois vem o próximo personagem e assim por diante até completar essa jam session. Mais tarde você habilita maneiras de deixar esses combos cada vez maiores e, pelo menos para mim, eles eram muito divertidos.

O jogo ainda tem todo um esquema de classes e de ficar subindo level das armas, que atiçou bastante o meu lado complecionista. Se bem que, se você for jogar Tokyo Mirage Sessions #FE, nem estressa em fazer 100% na primeira vez que não dá, tem coisa que só dá pra habilitar no New Game +, então só dá uma classe avançada para cada personagem e deixa para maximizar as armas depois.

Ah, e tem a trilha sonora. Eu adorei as músicas deste jogo. É muito J-pop tonto, e meu lado otakucho adora um J-pop tonto. Tanto que estou ouvindo ela agora, enquanto preparo este vídeo.

Esta é uma das minhas músicas favoritas, na versão encurtada que aparece no jogo. Se você entende japonês, a letra dela é meio spoiler do arco de uma das personagens, então toma cuidado.

Quanto à obscuridade dele… bem, é um jogo para o Wii U. Mas mesmo dentro dos padrões de um jogo do Wii U ele vendeu pouco, o que é um absurdo, porque todos os donos de um Wii U deviam dar uma chance para este jogo. Vão jogar o quê, aquela bosta de Star Fox Zero?

Enfim, o último motivo para eu estar indicando este jogo é que, depois deste ano de merda que foi 2016, todos nós merecemos uma história simples, colorida e divertida como Tokyo Mirage Sessions #FE. Espairecer um pouco, sabe? Por isso que o prestigio com o prêmio de um d’Os Melhores Games Que (Quase) Ninguém Jogou™ 2016.

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