23 dez

Sobre Os Melhores Games Que (Quase) Ninguém Jogou™ 2016, Parte 2 (vídeo)

Esta é a transcrição do vídeo de mesmo nome que está no meu canal do YouTube. Vão lá conhecer!

Então, hora de apresentar o segundo d’Os Melhores Games Que (Quase) Ninguém Jogou™ 2016. Mas primeiro, a abertura.

Conforme expliquei no vídeo anterior, descontando um dos jogos, estou apresentando o resto em ordem alfabética. Neste vídeo daremos um salto da letra P direto para a letra S. Sim, todos os premiados vieram da segunda metade do alfabeto.

Enfim, ei-lo:

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Esta aventura foi desenvolvida pela Drinkbox Studios (a mesma de Guacamelee, outro jogo fantástico, diga-se de passagem) para Playstation Vita, 3DS, Wii U e iOS e é espetacularmente fantástica. Ok, estou exagerando um pouco, mas eu gostei pra caralho deste jogo, muito mais do que eu esperava.

Severed conta a história de Sasha, uma jovem que acorda em uma dimensão estranha com a sua casa destruída, sua família desaparecida e seu braço direito amputado, e sua jornada atrás deles. Dos familiares e do braço. Sim, do braço também. Muito importante, o braço.

Quanto à jogabilidade, nós exploramos o mundo em primeira pessoa de uma maneira bem dungeon crawler das antigas, em que vamos de sala em sala e as coisas acontecem, como batalhar inimigos, resolver puzzles e encontrar itens.

Um aspecto importante é que praticamente todas as nossas interações são através da touchscreen. Se tocamos um objeto, interagimos com ele, se deslizamos o dedo ou o stylus pela tela, atacamos com nossa espada. Pessoalmente, senti que os controles foram muito bem implementados, e ficar alucinando com a espada riscando feito um louco a touchscreen durante uma batalha é estranhamente satisfatório.

Mas enfim, por que escolhi Severed como um d’Os Melhores Games Que (Quase) Ninguém Jogou™ 2016?

O primeiro motivo, obviamente, é porque eu gostei muito dele. Não apenas da jogabilidade, como falei, mas também da direção de arte, que é linda, da história, que é simples e cativante – aliás, evita ver os trailers oficiais do jogo que tem uns spoilers nele, tanto que editei eles aqui – mas o que eu mais gostei neste jogo foram seu ritmo e sua atmosfera.

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Eu realmente gosto da arte deste jogo.

Durante os momentos de exploração, eu senti que ele soube captar bem a sensação de isolamento da Sasha, dela estar sozinha num mundo destruído e abandonado, de uma maneira que me lembra Metroid, quando Metroid era bom. É um jogo meio contemplativo, que podemos ficar calmamente indo de sala em sala observando o ambiente.

Até a hora que entramos em combate. Aí é um stress danado, pois Sasha muitas vezes tem que lidar com diversos inimigos de uma vez, cada um com seu ritmo de ataque e defesa. Soma-se a isso a barrinha de foco, que enche enquanto combamos ataques e é necessária para conseguirmos cortar e obter partes dos monstros, deixando a situação toda, digamos, cheia de adrenalina.

Enfim, a questão é: essa alternância entre momentos calmos e momentos estressantes cria uma experiência fantástica, pois dessa maneira o jogo valoriza ambos. Se tudo é explosões o tempo inteiro, nenhuma seqüência específica fica na memória, nada parece especialmente marcante, e se tudo é muito parado demais, bem, o jogo fica chato. Severed, na minha opinião, soube criar um ritmo equilibrado que, para mim, funcionou muito bem.

Quanto ao por quê desse jogo não ter alcançado um público muito grande… Vocês viram as plataformas em que ele lançou? Pra começo de conversa, saiu para o Vita e o Wii U, o que é mais ou menos o mesmo que lançar para o Ouya e celulares Blackberry. Daí temos a App Store do iOS, onde o jogo ganhou muito destaque e foi escolhido como um dos jogos do ano pela Apple… mas ele é pago. Custa US $6.99. Nessa, ele perdeu, sei lá, 96% do mercado mobile. E, por último, o 3DS. Um mercado melhorzinho, e que recebeu um boost recentemente com Pokémon Sun e Moon, mas não sei dizer o quanto os fãs da Nintendo realmente apoiam jogos indies que não tenham o Shovel Knight ou a Shantae.

Por isso, estou aqui recomendando Severed pra vocês. É um jogo muito bom. De verdade. Só que ele lançou para mercados complicados em situações desfavoráveis. Mas acreditem quando eu digo que ele vale a pena. E o preço. É muito legal mesmo. E é, com louvor, um d’Os Melhores Games Que (Quase) Ninguém Jogou™ 2016.

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