21 jun

Sobre os jogos não-Zelda que a Nintendo apresentou na E3 2016 (do ponto de vista de um blogueiro atrasado)

Muito bem, hora de falar sobre a Nintendo na E3 2016. Sim, eu sei que estou atrasado. Acontece que resolvi escrever sobre um determinado assunto ligado à Nintendo nesta E3 e ele se saiu mais complexo do que eu esperava. Sério, está virando um texto enorme, que nem quando o assunto é Fire Emblem. Faz sentido, já que o assunto é justamente The Legend of Zelda, a minha outra série de games favorita da vida.

Só que eu percebi que ia demorar demais, e que havia outras coisas que eu queria falar sobre a Nintendo na E3, então dei um pause no texto sobre Zelda para escrever este, focado no que mais me interessou de todo o resto que a Nintendo levou. Não vou falar de todos os jogos que nem ano passado pra agilizar o texto, mas poucos ficaram de fora.

Mas, primeiro, tenho que responder à seguinte pergunta:

Teve mais que Zelda?

Imagino que quem não acompanha a bolha nintendística esteja se perguntando exatamente isto. Afinal de contas, a Nintendo fez questão de avisar que só ia levar o novo Zelda para seu estande na E3. Na verdade, até algumas semanas antes do evento, parecia que não apenas no estande, mas que ela só ia falar desse jogo na E3 e mais nenhum. Só que no começo de junho ela anunciou que também ia falar de outros jogos, principalmente no segundo dia do evento, e foi o que aconteceu.

Para esclarecer melhor, é preciso também entender a falta de uma conferência ou similar da Nintendo. Desde 2013 a Nintendo não faz mais uma conferência de verdade, num teatro com uma platéia, e começou a fazer apresentações pré-gravadas, como seus Nintendo Directs, com todos os anúncios da E3. Eu, pessoalmente gosto mais dessas apresentações pré-produzidas, tanto por elas serem mais concisas e terem um ritmo melhor que muitas das apresentações ao vivo como pelo fato que posso riscar “Assistir uma conferência da Nintendo na E3” da minha lista de “Coisas para fazer antes de morrer” já que ela se tornou irrealizável.

Só que neste ano de 2016 ela desistiu até mesmo de fazer uma apresentação pré-gravada, focando apenas no Treehouse Live, uma série de live streams que ela faz direto do seu estande na E3, mostrando os diversos jogos que ela levou para o evento.

E foram nesses live streams que ela mostrou mais jogos além de Zelda. Portanto, aqui está a minha opinião de alguns dos jogos que foram apresentados no Treehouse Live da E3 2016.

Pokémon Sun & Moon

Ainda no primeiro dia a Nintendo mostrou um pouco mais sobre Pokémon Sun & Moon, os próximos jogos da série principal de Pokémon. Achei que começou de maneira ruim, mostrando muita coisa que todo mundo já sabia, mas eles conseguiram fechar com um anúncio muito interessante: Battle Royal.

Para quem não viu, Battle Royal serão batalhas pokémons com quatro treinadores, free-for-all. Cada um tem três pokémons no total, com um em batalha, podendo atacar o pokémon que quiser com o ataque que quiser. Ou seja, caos. Caos é legal.

Parece ser muito divertido, e achei que eles implementaram uma solução boa para quando a partida termina, que é assim que algum treinador perder todos os seus pokémons. Daí o jogo pontua cada jogador de acordo com a quantidade de pokémons sobreviventes e a quantidade de pokémons que ele derrotou para determinar o vencedor. Desse modo, ninguém fica sobrando sentado assistindo os demais batalharem, deixa a jogatina toda mais divertida para todos.

Agora, a pergunta é se isso é o suficiente para me atrair de volta à série. Nos jogos antigos, eu jogava por muito tempo, mesmo depois de acabar a história, mas fui cansando, até parar no Diamond & Pearl. Nunca fui de participar de campeonato, eu jogava porque gostava da mecânica toda de colecionar os pokémons, mesmo só tendo terminado a Pokédex do Red & Blue.

Com o XY resolvi dar uma nova chance, e gostei bastante do jogo, mas fui cansando com passar do tempo e acabei parando logo depois da Elite Quatro. Nem fui pegar o Mewtwo. Sei lá, deu preguiça.

Se bem que, sendo sincero, não vejo problema nenhum dos jogos continuarem do mesmo jeitão de sempre. Se eu me desconectei da série, problema meu, ainda tem muito fã de Pokémon por aí e espero que todos continuem curtindo os games por anos. Sem contar que, por mais que eu tenha parado com a série principal, ainda gosto de alguns spin-offs, como o Conquest e o Picross.

Falando em spin-offs de Pokémon…

Pokémon Go

A demo mostrada não foi, assim, de mudar o mundo, mas eu já comprei a idéia deste jogo desde que ele foi anunciado. Tipo, já me decidi que vou baixar e jogá-lo incessantemente. Provavelmente vou começar a sair mais de casa só pra achar mais pokémons.

Para quem não está sabendo deste jogo, ele é um game para smartphones que consiste de você capturar pokémons pelo mundo real usando realidade aumentada com o seu aparelho. Lembram de alguns anos atrás um primeiro de abril do Google que dava pra caçar pokémons pelo Google Maps? Então, foi inspirado nisso, mas no mundo real. Vou deixar aqui o trailer de anúncio dele para ajudar:

Sim, eu sei que muita gente no beta está falando que o jogo é bem instável, que os gráficos não estão tão bons assim e eu, pessoalmente, não gostei do estilo visual dos treinadores, mas ainda assim é o mais próximo que há de um Pokémon no mundo real. E vai ser de graça, então vamos dar uma chance.

Agora, o que não vai ser de graça é o Pokémon Go Plus, o reloginho que detecta pokémons para você capturá-los sem ter que sacar o celular do bolso. Vai custar US$34,99. Ai. É meio caro demais, na minha opinião, e eu coleciono figures. Sem contar uma coisa que vi algumas pessoas comentarem, que é que esse acessório meio que quebra o propósito do jogo, já que você não precisa mais nem ver no seu celular qual pokémon você encontrou, é só apertar um botãozinho no Pokémon Go Plus e pronto, você capturou o monstro. Quando parei pra pensar nisso, acabei concordando um pouco, mas também tem a questão que em muito lugar ao redor do mundo não é seguro ficar com o celular na mão o tempo inteiro. De certo modo, esse acessório é uma medida de segurança. Uma medida cara e que não sei se vale tanto a pena assim, mas está aí. A pergunta que fica é por que não tem um app para smart watch que faz o mesmo que isso.

Ever Oasis

Este é o primeiro jogo de uma franquia nova que a Nintendo anunciou, para 3DS, criada e desenvolvida por Koichi Ishii, do estúdio Grezzo. Se algum de vocês doze for fã hardcore de JRPG, você deve conhecer este nome, ele foi o character designer dos chocobos e dos moogles de Final Fantasy e o criador da série Mana (Seiken Densetsu). Se algum de vocês doze for fã hardcore de Zelda, você deve reconhecer o nome Grezzo, que foi o estúdio responsável por adaptar Ocarina of Time e Majora’s Mask para o 3DS.

Só com este último parágrafo dá pra sacar que este jogo vai ter qualidade e bichinhos fofinhos. E o jogo parece cumprir isso com um estilo chibi bonitinho para os personagens e uma jogabilidade de RPG de ação, onde exploramos dungeons com uma party e podemos ficar trocando de personagem durante as batalhas. Quanto à história, somos o dono de um oásis e temos que criar um ambiente seguro e atraente para os viajantes do deserto, ao mesmo tempo que combatemos um senhor das trevas que quer ferrar com tudo porque JRPG.

Parece muito, mas muito legal. Estou com muita vontade de jogar este game, é bem o tipo de coisa que eu gosto e provavelmente vou me acabar jogando ele. O único problema é que eu já estou com outros trocentos JRPGs no meu 3DS esperando para serem jogados, acho que vou ter que arranjar uma máquina que desacelera o tempo à minha volta só para eu jogar todos esses jogos.

E, aproveitando que estou reclamando de #firstworldproblems, outro dia entupi a privada de casa porque caguei um diamante.

Paper Mario Color Splash

Depois de Federation Force, este é o jogo que mais está atraindo a ira dos fãs da Nintendo. Para quem não conhece, Paper Mario era uma das séries de RPG do Mario, assim como Super Mario RPG para o SNES e a série Mario & Luigi para portáteis. Digo “era” porque desde o Wii, com Super Paper Mario, a série deixou de lado suas raízes RPGzísticas e virou outra coisa, irritando os fãs da série.

Melhor começar avisando que eu não odeio este jogo. Sou um tanto indiferente a ele, provavelmente vou jogá-lo, mesmo sabendo que ele é mais uma continuação do Sticker Star, o Paper Mario do 3DS, do que um novo Thousand-Year Door, do Gamecube. Digamos assim: por mais que eu preferisse que a série voltasse a ser um RPG, não acho esse molde novo dela tão ofensivo quanto Federation Force é para Metroid, e eu entendo a motivação da Nintendo, que é diferenciar Paper Mario da série Mario & Luigi, a outra série de RPGs do Mario. Ao mesmo tempo, entendo porque muita gente está com raiva deste jogo.

O maior problema é que a Nintendo, nessa ânsia de diferenciar as duas séries, acabou matando boa parte do charme de Paper Mario, e agora está sofrendo para reencontrar um novo propósito para a série. Ao alterar as batalhas tirando os pontos de experiência e os sidekicks ao mesmo tempo que uniformizou os NPCs, o combate ficou mais monótono e a história mais sem graça. A série ainda possui um senso de humor, mas com o empobrecimento dos personagens, mesmo ele já não é mais tão bom.

Imagem comparando os Toads nos jogos da série Paper Mario

Uma comparação entre os Toads em Thousand-Year Door e Sticker Star e Color Splash, dá pra ver como o visual deles foi uniformizado. Imagino que isso esteja relacionado a querer padronizar a “marca” Toad que propriamente preguiça criativa.

De qualquer maneira, Color Splash. Parece outro Sticker Star, mas um pouco melhorado. Não parece ter a coisa dos adesivos limitando seus ataques, mas tem a mecânica da tinta, que não sei se vai ser tão cansativa. A história parece interessante, mas não tenho uma opinião muito forte sobre ela ainda.

No fundo, o que mais me chamou a atenção neste jogo foram os gráficos. Ficou muito bom. Essa coisa de brincar com materiais reais, assim como em Yoshi Wooly’s World e Kirby and the Rainbow Curse é muito legal, ficou impressionante.

Sei lá, a minha esperança é que aos poucos a Nintendo descubra o que fazer com a série. Se vai virar um tipo de aventura focada na história e no humor, como ela tem declarado, Color Splash parece ser um passinhozinho nessa direção, mas ainda tem muito o que melhorar. Uma coisa que ia ajudar muito ia ser voltar a dar variedade para os personagens.

Tokyo Mirage Sessions #FE

Eu não pretendia comentar este jogo, mas como imaginei que alguns de vocês doze fosse estranhar eu não comentar um spin-off de Fire Emblem, aqui está o meu comentário:

Vou jogar este jogo. Já me decidi. Nem vi o que foi mostrado na E3. Só quero jogar ele logo.

BoxBoxBoy!

Viva! Um d’Os Melhores Games Que (Quase) Ninguém Jogou™ 2015 terá sua continuação lançada no ocidente! Uhú!

Falando um pouco mais sério agora, eu já esperava que a Nintendo eventualmente anunciasse este jogo para o ocidente. Calhou desse anúncio ter acontecido na E3. E, como vocês devem ter percebido, estou muito contente mesmo pra caramba saltitando por aí de felicidade com isso. Eu adorei o primeiro jogo, Box Boy!, e quero muito jogar o segundo.

Se você quer entender porque eu gosto tanto dele, vá dar uma olhada no post falando dele. Ou melhor ainda, vá jogar o jogo duma vez.

Rhythm Heaven Megamix

O último jogo que quero comentar é Rhythm Heaven Megamix, o jogo que foi anunciado e lançado de surpresa durante a E3. Eu gosto quando empresas fazem dessas, anunciam e lançam um jogo ou DLC de surpresa. Só não é muito bom quando estamos falando de um console, que é um investimento maior, mas em outras ocasiões é legal, como foi com este jogo.

Para quem não conhece a série Rhythm Heaven, ela parece com a série WarioWare, com vários minigames curtos que são jogados em sucessão, mas com um foco em ritmo. Além disso, ela tem um estilo visual muito legal e muito daquilo que chamo de “humor nonsense japonês”. Vendo os vídeos deve dar pra entender do que estou falando.

O problema é que sou um péssimo com games de ritmo, e por isso nunca joguei nenhum jogo da série. Acho que o único que consegui jogar razoavelmente bem foi Elite Beat Agents, e mesmo assim não era grandes coisas. Mas estou com vontade de dar uma chance para Rhythm Heaven Megamix. Só ouvi elogios para o jogo, e como ele é um tipo de compilação de minigames de todos os jogos da série, parece ser uma boa porta de entrada para ela.

Conclusão

Para uma E3 que parecia só ter um jogo da Nintendo, ela acabou tendo algumas surpresas e sendo muito boa. Não apenas por finalmente termos visto mais do novo Zelda (e que vou comentar mais sobre no futuro), mas também por causa de seqüências de jogos aclamados, como BoxBoxBoy! e Rhythm Heaven Megamix, Ever Oasis, uma franquia nova que parece ter muito potencial e mais informações sobre o futuro de Pokémon, uma das maiores séries de games que existe.

Foi tudo perfeito? Não. Pokémon Go e Paper Mario Color Splash ainda não convenceram muita gente e mesmo o novo Zelda teve alguns aspectos que geraram alguma controvérsia (que vai ser o tema do próximo post).

Mas eu realmente saí desta E3 surpreendido positivamente pela Nintendo. Como fã bitolado que foi acompanhar o evento esperando só ver Zelda, estou saindo satisfeito. Talvez essa tenha sido a verdadeira cartada de gênio da Nintendo, anunciar que vai falar pouco e, na hora, falar muito.

Se bem que, se o único outro jogo anunciado além de Zelda fosse BoxBoxBoy!, eu já estaria contente. Que eu gosto muito de Box Boy!, vão lá jogar. É muito bom mesmo.

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