31 dez

Sobre Os Melhores Games Que (Quase) Ninguém Jogou™ 2015

Se tem uma coisa que eu adoro ficar vendo todo santo final de ano são os vencedores de O Game do Ano™ nos diversos sites e canais do YouTube que eu sigo.

Sim, eu sei que esses rankings são completamente fúteis, servindo apenas para atrair cliques e gerar discussões vazias.

Mas, ainda assim, eu adoro essas porcarias. É um tipo de prazer culposo. Sei lá, é uma satisfação muito grande quando um jogo que você gosta é reconhecido por pessoas que, dentro de uma lógica classificatória que só existe na sua cabeça, possuem mais autoridade no assunto, por mais que esse reconhecimento não faça nenhuma diferença no esquema geral das coisas.

Tendo dito tudo isto (e desmerecendo completamente o valor dessas premiações bestas), existe um prêmio específico que, na minha opinião, faz alguma diferença: O Melhor Game Que Ninguém Jogou™.

Caso não dê para deduzir a partir do título, O Melhor Game Que Ninguém Jogou™ é o prêmio dado para jogos muito bons, mas que, por diversos fatores, acabaram não encontrando um público. Seja por serem jogos de gêneros menos prestigiados, por não terem uma verba muito boa de marketing, por serem exclusivos do console menos popular ou por puro azar mesmo, eles são games de alta qualidade que não conseguiram se destacar no mercado.

É por isso que eu acho esse prêmio importante, é uma maneira de ajudar a divulgar jogos que merecem ser jogados. Eles dão uma segunda chance para os games e dão aos gamers a oportunidade de terem uma experiência nova com um jogo menos mainstream (sim, basicamente é o prêmio hipster dos games).

Por exemplo: Astro Boy: Omega Factor.

Boxart de Astro Boy: Omega Factor

É, sem brincadeira, um dos melhores jogos do Game Boy Advance. Entre todos os jogos do GBA. Sério. Mesmo mesmo.

Um jogo de plataforma com um jeitão Mega Man e um quê de Metal Slug (são as referências que tenho), jogabilidade muito boa, sprites lindos e uma história que brinca muito com todo o universo criado por Osamu Tezuka (não só de Astro Boy, mas de todas as suas histórias), é um jogo muito, mas muito divertido. Se você tiver como jogar este game, jogue (AHEM – emulador – COF COF).

Astro Boy: Omega Factor screenshot

É difícil passar toda a lindeza deste jogo só com um screen, mas acreditem em mim, este jogo é lindo.

E é um jogo que eu descobri por ter sido eleito O Melhor Game Que Ninguém Jogou™ para GBA em 2004 pela IGN (não consegui achar o link, acho que não existe mais a página, muito tempo atrás). O site elogiava tanto o jogo que resolvi correr atrás dele e não me arrependi – é realmente muito bom.

Deu para entender porque eu valorizo tanto o prêmio de O Melhor Game Que Ninguém Jogou™?

É uma pena que não é todo site que possui este prêmio, até mesmo a IGN não tem mais, mas é um ótimo meio de descobrir jogos bons.

Mas sabem qual site tem um prêmio similar ao de O Melhor Game Que Ninguém Jogou™? Este blog.

Os Melhores Games Que (Quase) Ninguém Jogou™ 2015

Antes de apresentar os meus escolhidos, quero explicar algumas coisas:

• Não queria escolher um só, mas queria manter em menos de cinco jogos. No fim, escolhi três.

• Como sou, primariamente, um gamer Nintendo, os três jogos escolhidos são para plataformas Nintendo. Dois são exclusivos e não creio que serão lançados para outras plataformas, mas um deles com certeza vai sair para tudo. Eventualmente.

• Se você é que nem eu e se aprofunda bastante na bolha nintendística, estes jogos não vão parecer desconhecidos, mas acredito que a maior parte de vocês cinco não ouviu falar deles.

• Escolhi os jogos baseados no quanto eu me diverti e me impressionei com eles e no quanto eu os percebi sendo ignorados. O que eu quero dizer com isso é que há a possibilidade de algum destes jogos ter sido um sucesso estrondoso em algum lugar do mundo, mas no meu círculo social eles são bem desconhecidos.

• Estes não são Os Jogos Que Eu Mais Recomendo Todo Mundo Jogar Pelo Menos Uma Vez Na Vida De Tão Bons Que São™ 2015, eles não são Splatoon e Undertale. Só que não ia fazer muito sentido colocar Splatoon e Undertale nesta lista porque, bem, são jogos tremendamente populares e a qualidade deles já foi discutida exaustivamente por muita gente.

• Por fim, se você tem algum jogo que acha que é bom mas quase ninguém jogou e que não listei aqui, por favor compartilhe-o nos comentários.

Com as minhas trocentas ressalvas fora do caminho, podemos começar. Em ordem alfabética, o primeiro d’Os Melhores Games Que (Quase) Ninguém Jogou™ 2015 é…

Box Boy!

Logo de Box Boy!

Desenvolvedora: HAL Laboratory

Plataforma: 3DS

Data de lançamento nas Américas: 02/04/2015

Preço (na data deste post): US$4,99 no eShop

O que é este jogo?

Um puzzle de plataforma muito simpático onde você controla Qbby, o Box Boy do título, tentando chegar ao final de fases simples usando uma mecânica muito interessante: caixas. Funciona assim: Qbby cria caixas do seu tamanho e usa-as de diversas maneiras, seja criando um degrau para alcançar uma plataforma mais alta, um bloco contíguo de caixas para servir de ponte, ou ainda um peso para apertar um botão enquanto você atravessa uma porta. Estes são os exemplos simples, mas com o passar do jogo vão sendo introduzidos mecânicas mais complexas.

Por que (quase) ninguém jogou ele?

Por mais que seja um jogo desenvolvido pela HAL Laboratory (criadora de Kirby, Earthbound e Smash Bros) e publicado pela Nintendo, o fato dele ser exclusivo para o eShop do 3DS impediu-o de ter alcançado um público grande.

Sim, eu sei que há alguns anos a Nintendo alardeou que mais de 80% dos 3DS e WiiUs estão conectados à internet e que as vendas do eShop crescem a cada ano, mas tenho essa sensação que a maior parte das vendas nele focam em alguns poucos jogos, como os de Pokémon e Animal Crossing. (Na verdade, pelo que leio por aí, as demais lojas online de games, como o Steam e a App Store, não são muito diferentes – poucos jogos representam a gigantesca maioria das vendas.)

Sem contar que, por mais que o 3DS seja mais popular que muita gente pensa, ele está no final da carreira, e não sei quanta gente ainda joga ativamente seu portátil a ponto de correr atrás de jogos menores lançados exclusivamente no eShop.

Para completar a falta de sucesso de Box Boy!, a Nintendo não divulgou muito o jogo. Apareceu num Nintendo Direct japonês, ganhou um videozinho no YouTube e só.

E, mesmo que eu esteja errado (o que é bem possível) e Box Boy! tenha vendido bem, ele não virou um fenômeno viral e se tornou uma grande história dentro da cultura gamer no ano. O editor-chefe do Kotaku até tentou, mas o jogo, em grande parte, passou desapercebido pela maioria, mesmo entre fãs da Nintendo.

Por que este é um d’Os Melhores Games Que (Quase) Ninguém Jogou™ 2015?

Pra começar, este jogo é muito, mas muito fofinhu bunitinhu cuti cuti.

Roupinhas para BOXBOY!

Sério, olha que fófis essas roupinhas.

O Qbby é um quadrado com olhinhos e perninhas e é um amorzinho. Sério, olha ele dançando ao terminar uma fase:

É uma direção de arte super simples, com uma paleta monocromática e formas geométricas básicas, mas que conseguiu adicionar todo um charme para o jogo.

Mas, como todo fã da Nintendo sempre martela em discussões na internet, não são os gráficos que fazem um jogo bom. É a jogabilidade que importa.

E a jogabilidade de Box Boy! é brilhante.

Novamente: saber usar a simplicidade a seu favor. Como já expliquei, o jogo consiste, basicamente, de criar caixas para chegar ao final da fase. Depois de ver o exemplo mais simples, dele criando degraus, escadas e pontes, parece que não tem muito mais o que ser inventado, mas a HAL Laboratory mostrou porque é uma das principais second-parties da Nintendo. Tem fases onde você usa as caixas como escudo contra lasers. Onde você usa as caixas como um meio de manipular e conduzir outros bichinhos pelo ambiente, à la Lemmings. Tem fases onde você usa as caixas para completar lacunas no chão que desaparecem, como se fosse Tetris, abrindo caminho para Qbby. E por aí vai.

Me lembro de ter ouvido uma vez, num dos trocentos podcasts que ouço, alguém comentar que jogos bons têm uma ou duas sacadinhas, mas que jogos geniais têm uma sacadinha por fase.

Box Boy! é um desses jogos geniais. Cada mundo é dividido em seis fases (1-1, 1-2, 1-3, etc) e possui uma sacadinha própria. É quase como se virasse um game novo. Sério, você muda o jeito de pensar e jogar a cada mundo. Se fosse um jogo para mobile feito por uma desenvolvedora mais tosca e inescrupulosa, cada mundo seria um jogo diferente (Box Boy!, Box Boy! 2, Box Boy! Seasons, Box Boy! Minions e sei lá o que mais) que ia ficar repetindo a sacadinha até dar encher. Mas a HAL soube trabalhar cada uma delas bem e na medida, para que o jogador não fique cansado.

Só que a brilhanteza de Box Boy! ainda não acabou. Box Boy! é uma aula de game design.

Muito já se falou sobre a dificuldade de se acertar a curva de dificuldade de um jogo e sobre como um jogo ensina seu jogador sobre o que deve ser feito. Eu mesmo já escrevi sobre isto.

Box Boy! é um jogo que sabe ensinar o básico de cada sacadinha de cada mundo e depois deixar o jogador descobrir o que tem que ser feito na base da experimentação. Ele ensina bem sem parecer que está te conduzindo na mão e te chamando de idiota. Lembram que falei das seis fases que compõem cada mundo? As duas primeiras são para aprender o básico, as duas seguintes para desenvolver suas habilidades e as duas últimas são desafios. E, para aqueles que querem um desafio maior ainda, existem coroinhas para serem coletadas em cada fase, onde você tem que pôr os neurônios para trabalhar para conseguir pegá-las.

Resumindo: Charme, jogabilidade, balanceamento e obscuridade. Box Boy! merece, e com louvor, ser um d’Os Melhores Games Que (Quase) Ninguém Jogou™ 2015.

Próximo!

Runbow

runbow_logo

Desenvolvedora: 13AM Games

Plataforma: WiiU

Data de lançamento nas Américas: 27/08/2015

Preço (na data deste post): US$14,99 no eShop

O que é este jogo?

Um jogo de plataforma 2D com uma sacadinha colorida: a cor de fundo do cenário fica mudando, e as plataformas da mesma cor do fundo desaparecem, afetando seu trajeto rumo ao final da fase.

Runbow pode ser jogado sozinho sem problemas, mas seu foco principal é nos modos multiplayer, podendo ser jogados por até 9 jogadores. Local. Simultaneamente. Sério.

Também dá pra jogar online, mas só se você for um desses perdedores solitários que não conseguem juntar nove pessoas e controles na sua sala (ou onde quer que fique seu console). Eu sou um deles.

Por que (quase) ninguém jogou ele?

Porque só foi lançado no eShop para o WiiU.

Situação parecida com o Box Boy!, mas a exclusividade no WiiU o torna um problema diferente em relação à exclusividade no 3DS, já que o console vendeu pouco mais de dez milhões de unidades e o portátil passou dos cinqüenta milhões (até setembro de 2015).

No fundo, Runbow é um jogo bem mais conhecido e popular que os outros dois, pois foi bastante promovido pela própria Nintendo, tanto em Directs como no eShop. Até fiquei na dúvida se o colocava nesta lista ou não.

Só que, por mais que Runbow seja um grande exemplo do pensamento “melhor ser um peixe grande numa lagoa pequena do que um peixe pequeno numa lagoa grande”, a verdade é que só vi ele sendo comentado/discutido/alardeado na época do seu lançamento, que depois as pessoas tocaram a bola pra frente e meio que esqueceram o jogo. Principalmente porque duas semanas depois lançou Super Mario Maker, consumindo a vida de todos os fãs de plataforma 2D com um WiiU (eu incluso).

Mas Runbow me diverte horrores toda vez que jogo, e é um game que ainda me dá vontade de jogar. Sendo sincero, acho que só o incluí aqui para lembrar tanto a mim quanto a vocês cinco que este jogo existe, e ele vale a pena.

Por que este é um d’Os Melhores Games Que (Quase) Ninguém Jogou™ 2015?

Como já falei, Runbow é um jogo muito divertido. Sim, ao contrário de Box Boy!, ele só tem uma sacadinha, e se eu for sincero, acho Box Boy! um jogo melhor.

Mas os desenvolvedores souberam trabalhar essa sacadinha de uma maneira muito esperta que fez com que Runbow possa ser jogado de duas maneiras: ou como um party game caótico, onde a diversão vem de todo mundo ficar fazendo besteira e dando risada, ou como um jogo de plataforma single player altamente técnico, onde é preciso muito foco e muita destreza.

Nesse sentido, é como Smash Bros. Até tem trocentos personagens de outros jogos indie para escolher.

Melhor desenvolver mais o assunto, começando pelos modos multiplayer. Neles, você pode tanto jogar fases cooperativas, onde o objetivo é alguém conseguir terminá-la, fases competitivas onde a disputa é quem termina primeiro ou ainda jogar um modo sobrevivência onde todo mundo sai na porrada numa arena até só sobrar um.

E todos esses modos são uma bruta zona. É gente fazendo merda no modo cooperativo, gente sacaneando os outros nos modos competitivos, itens que ferram todo mundo, momentos onde todo mundo morre ao mesmo tempo da mesma maneira idiota, etc.

É muito legal.

Dizem que do Caos vem a Ordem, mas no caso de Runbow (e Smash), do Caos vem o Entretenimento. É bem o tipo de game onde várias pessoas com vários graus de habilidade conseguem se divertir porque é tudo tão bagunçado que qualquer um pode ganhar.

Eu adoro party games assim.

Mas aí temos os modos single player, que são o extremo oposto.

As cores de fundo aparecem sempre na mesma ordem e no mesmo ritmo, as plataformas, os obstáculos e os inimigos estão sempre na mesma posição e tudo o que você precisa fazer é concentrar, treinar, memorizar e assim conseguir completar cada fase no melhor tempo possível. É um jogo de plataforma bem hardcore, daqueles que você quebra os dedos e os controles de tanta frustração tentando ganhar a fase até a vez em que você atinge o nirvana e se torna um com o controle e o personagem, executando cada pulo com precisão cirúrgica, aterrissando esplendidamente em cada plataforma, desviando elegantemente de cada obstáculo e terminando a fase com uma lágrima solitária descendo pelo seu rosto, para então você se sentir banhado na euforia incontrolável da vitória, da conquista, da realização pessoal.

Daí você vai pra próxima fase e começa tudo de novo. Por sorte, as fases são bem curtinhas, então cada morte não é tão horrorosamente frustrante assim.

Eu adoro jogos de plataforma assim.

Resumindo: Runbow é um jogo que tanto serve como uma diversão besta multiplayer como um teste hardcore de habilidade em jogos de plataforma single player, ou seja, foi a junção de dois dos meus tipos de jogos favoritos. Por isso que o premio aqui como um d’Os Melhores Games Que (Quase) Ninguém Jogou™ 2015.

Próximo!

SteamWorld Heist

steamworld_heist_logo

Desenvolvedora: Image & Form Games

Plataforma: apenas 3DS na data deste post, vai sair ainda para WiiU, PC (via Steam), PlayStation 4, PlayStation Vita, Xbox One e iOS

Data de lançamento nas Américas: 10/12/2015

Preço (na data deste post): US$16,99 no eShop

O que é este jogo?

É complexo. Ou melhor, é difícil de explicar. Melhor ir por partes.

Vou começar pelo cenário do jogo: ele se passa no universo SteamWorld, criado pela Image & Form, onde os humanos desapareceram e só sobraram robôs no lugar (nem animais existem, é tudo robótico). Esses robôs são, em sua maioria, movidos a vapor. Além disso, são caubóis, ou como são chamados, cowbots. Resumindo: um faroeste de robôs steampunk numa realidade pós-apocalíptica, este é o universo de SteamWorld. Os outros jogos da série são SteamWorld Tower Defense, para DSi e 3DS e SteamWorld Dig, para 3DS, WiiU, PS4, PS Vita, Xbox One e PC via Steam (só pra constar, esses outros dois jogos são bem diferentes deste e entre si – essa é uma coisa legal que a Image & Form está fazendo, mudando o gênero de cada jogo da série).

Em SteamWorld Heist, os robôs tiveram que abandonar a Terra após ela ter sido destruída. No espaço, os robôs movidos à petróleo acabaram tomando o poder e formando uma monarquia, e começaram a explorar os robôs movidos a vapor, mantendo-os na periferia espacial, os Outskirts (o centro do reino, o Core, é onde ficava a Terra, pelo que eu entendi). No jogo controlamos a capitã Piper e sua tripulação de piratas espaciais, que fazem a vida roubando água dos monarquistas.

Capitã Piper

Uma nova heroína badass nos games.

Agora que apresentei o universo, fica mais fácil explicar a jogabilidade: SteamWorld Heist é um jogo de estratégia de turno, onde você movimenta suas unidades pelo cenário e executa ataques, alternando com as unidades inimigas. Mas, ao contrário de muitos jogos do gênero, como Fire Emblem e Advance Wars, em SteamWorld Heist a câmera não fica num ponto de vista isométrico, ela fica em perspectiva 2D, tipo Mario. Isso ocorre por causa do combate deste jogo, que é um sistema de ricochete de balas e lugares para se esconder. Funciona assim: você anda com o seu personagem pelo cenário até onde bem entender e, em seguida, atira com a sua arma. Como os cenários são as naves espaciais que você aborda com sua tripulação, tudo é apertado e meio claustrofóbico, mas isso permite que as suas balas ricocheteiem pelas paredes, teto e chão até atingir o inimigo (e vice-versa). Ou seja, não basta atirar em qualquer direção, é preciso calcular direitinho o ângulo dos seus tiros para vencer as fases, assim como é preciso saber escolher bem o posicionamento dos seus cowbots para evitar os tiros dos adversários. Existe sim um fator sorte, pois nem sempre dá para calcular tão perfeitamente o tiro (principalmente com shotguns), mas é um jogo que envolve muita habilidade e estratégia.

Para completar, as naves são geradas randomicamente, o que faz com que as fases sejam sempre diferentes quando você joga.

Deu pra entender? Vou fingir que vocês responderam “sim”.

Por que (quase) ninguém jogou ele?

Mais ou menos pelos mesmos motivos de Box Boy! (exclusividade no eShop do 3DS), mas a verdade é que (quase) ninguém jogou SteamWorld Heist ainda.

Porque quando ele lançar para todas as outras plataformas, imagino que ele se torne popular o bastante. Até por isso que decidi colocar ele aqui na lista, pois quero deixá-lo na memória de vocês quando ele lançar para todo o resto, para vocês comprá-lo, que vale a pena.

Mas, por enquanto, ele é um jogo indie exclusivo para 3DS que não consegue atingir um público tão extenso quanto merecia por ser um jogo indie exclusivo para 3DS.

Por que este é um d’Os Melhores Games Que (Quase) Ninguém Jogou™ 2015?

Pra começo de conversa, eu sou um fã tarado de jogos de estratégia de turno. Este é um jogo de estratégia de turno muito bem feito, com uma sacadinha muito divertida, logo, é um dos meus jogos favoritos do ano. Acho até que é o melhor jogo de estratégia de turno que joguei o ano inteiro (desculpa, Codename S.T.E.A.M.).

Arte de SteamWorld Heist

Como se não bastasse, SteamWorld Heist ainda tem a arte steampunk melhor. Pobre Codename S.T.E.A.M.

Mas o mais importante é que essa jogabilidade de ricochetear balas é muito, mas muito legal. Dá uma satisfação enorme acertar um critical hit na nuca do seu inimigo depois da bala rebater em duas paredes, num tiro preciso e calculado. Assim como é muito legal pegar uma shotgun, mirar meio de qualquer jeito na direção de vários inimigos e ver a chuva de balas batendo e rebatendo neles.

Este jogo soube criar um sistema de defesa e ataque muito inteligente e desafiador para um jogo de estratégia de turno, onde não é apenas a sua tática de posicionamento de personagens e grinding que definem a sua vitória, pois a sua técnica e habilidade com sinuca de balas também influencia sua vitória. Aconteceu muito de eu ir todo pimpão com minha unidade de level alto num ataque “this is esparta!” (ou seja, sem me preocupar com a defesa, crente que ia matar todo mundo), errar o tiro e, no turno seguinte, vê-la ser massacrada pelo computador.

E isso é bom.

Jogos de estratégia que punem comportamento impensado do jogador são jogos que entendem seu propósito no mundo, criando um desafio digno para quem curte esse tipo de jogo.

Mas, para não assustar quem não tem o hábito de jogar este tipo de jogo, ele tem vários níveis de dificuldade. Sério, não é tão horrível frustrante assim não, só se você for bancar o bonzão numa dificuldade relativamente alta (que nem eu fiz).

Existe mais um fator que me surpreendeu e me deixou muito contente com este jogo: a extensão dele.

Uma coisa que sempre me frustra é quando um game acaba antes da hora. Não estou falando num sentido custo-benefício, do tipo “paguei X, quero pelo menos Y horas”, mas num sentido da história não ser bem desenvolvida e tudo se resolver correndo perto do final ou dela acabar no meio para continuar numa seqüência. Esse tipo de coisa me deixa muito desiludido. Isso que eu nem joguei The Order: 1886.

Não sei explicar bem porquê, mas durante o andamento da história de SteamWorld Heist, eu criei esta expectativa que o jogo ia acabar depois do chefão X (não vou falar para não dar spoiler), e que eles provavelmente iam fazer uma continuação depois para fechar a história da capitã Piper. E já estava me frustrando por antecipação.

Mas, para a minha grande surpresa e felicidade, depois do chefão X abriu um mundo novo, com mais N fases, e a história soube finalizar de maneira decente.

Pode parecer estranho elogiar um jogo por ele trabalhar a história direito e terminá-la de maneira decente, sem um cliffhanger forçado para aumentar as vendas do jogo seguinte da série, mas eu realmente me surpreendi com a honestidade de Steamworld Heist.

Só que, antes que vocês achem que ele é tipo Disgaea, com duzentas horas de duração, não, ele é um jogo muito mais curto que isso. Digamos assim: ele dura o tempo necessário, de uma maneira boa.

E ainda tem todo o fator faroeste espacial steampunk com robôs caubóis que também são piratas. Sério, só nesta frase eu já devia ter convencido vocês a comprar o jogo: faroeste espacial steampunk com robôs caubóis que também são piratas.

Resumindo: Um jogo de estratégia de turno onde a jogabilidade exige o bastante do seu cérebro para te deixar satisfeito com a vitória (e irritado consigo mesmo com a derrota). E ainda por cima é um faroeste espacial steampunk com robôs caubóis que também são piratas. SteamWorld Heist é fantástico e recomendo para todos.

Conclusão

Box Boy!, Runbow e SteamWorld Heist são jogos muito, muito bons. Infelizmente, não me parece que eles tenham conseguido alcançar o público que merecem. Por isso eu os nomeei Os Melhores Games Que (Quase) Ninguém Jogou™ 2015.

Mas a idéia não é fingir que este prêmio que eu inventei tem efetivamente algum valor maior no esquema geral das coisas e que as minhas escolhas são as melhores.O propósito disto tudo é ajudar a divulgar games que eu acho que merecem mais reconhecimento e oferecer para vocês cinco sugestões de entretenimento interativo que, possivelmente, vocês não conheciam.

Sério, esta minha lista é só uma idéia, um primeiro passo. Por favor acrescentem mais títulos a ela, façam suas versões e me indiquem mais jogos para, talvez, eu aumentá-la. Considerando que ainda não consegui jogar Legend of Legacy, que me parece ser bem o tipo de jogo que eu adoro, é bem capaz de eu voltar e aumentá-la.

Enfim, acho que isso é tudo. Ano que vem, talvez, quem sabe, tem mais.

Links para os sites oficiais dos premiados

Box Boy!

Runbow

SteamWorld Heist

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