17 jun

Sobre o Nintendo Digital Event da E3 2015 (do ponto de vista de um fã bitolado)

Então.

Pois é.

O Nintendo Digital Event da E3 2015.

Seguinte: foi meh.

Ou melhor, quando acabou, essa foi a minha reação: meh.

 

Agora que passou algum tempo, estou um pouco mais animado, principalmente com Mario & Luigi Paper Jam, o crossover de Paper Mario com Mario & Luigi e com Star Fox Zero. Em menor grau, com Zelda: Triforce Heroes e Mario Tennis.

Mas esses não são os únicos jogos que foram apresentados no Digital Event que eu quero jogar. Imagina, já estou estudando minha waifu e meu husbando de Fire Emblem Fates de tanto que eu tô ansioso pra jogar esse jogo. Sem contar que já limpei minha agenda por três meses no final do ano só pra me dedicar 100% do tempo a Xenoblade Chronicles X. E estou cogitando seriamente fazer um canal no YouTube de let’s play focado em Super Mario Maker (depois eu explico melhor isto). Yoshi’s Woolly World e Genei Ibun Roku #FE (o novo nome do crossover de Shin Megami Tensei com Fire Emblem) também estão na minha lista de “comprar no primeiro dia”.

Se eu for analisar friamente a lista de jogos apresentados no Digital Event, eu devia estar saltitando de felicidade e excitação e orgasmos nérdicos nintendísticos.

Mas eu não estou.

Estou mais meh que animado.

Porque eu já conhecia a maioria dos jogos que foram apresentados.

O problema de ser exageradamente fã demais em excesso

Não sei se deu pra perceber, mas eu sou muito, muito, muito, mas muito fã da Nintendo.

Conseqüentemente, acompanho avidamente tudo o que acontece relacionado à ela. Todo Nintendo Direct, toda notícia, todo rumor, etc. Até mesmo o que sai no Japão, pois sempre tem algum fã bilíngüe pra traduzir.

Por isso, vindo para essa E3, minha expectativa era mais ou menos a seguinte: “Não vai ter o Zeldão, Star Fox e Mario Maker vão ser o foco principal, mas acho que vai ter mais alguma coisa grande e inesperada.”

E aí… não teve.

Até aí, tudo bem, eu que criei uma expectativa e quebrei a cara. Só que não é tão simples assim. O que realmente me incomodou no Digital Event desta E3 foi que me pareceu que a Nintendo não sabia o quanto ela devia passar de informação sobre cada jogo, deixando o todo enfadonho para fãs bitolados que nem eu e confuso para fãs mais casuais.

Para explicar melhor, vou listar todos os jogos apresentados, na ordem em que apareceram, e comentar um pouco sobre o que foi apresentado, o que eu já sabia e a impressão que ficou de cada um.

Sim, este post vai ser enorme.

Star Fox Zero

Plataforma: WiiU

Data de lançamento nos EUA: Final de 2015

O que foi apresentado: Vimos ele pela primeira vez em ação e em HD, descobrimos o nome final do jogo, que ele vai ser um tipo de reboot do universo (imagino que para jogar a Krystal fora, coitada), que os veículos vão se transformar no estilo Transformer (o arwing vira uma galinha, é bem legal – não estou sendo sarcástico, achei legal de verdade), de como os controles vão funcionar, usando a tela do gamepad como a visão do cockpit e a TV com a vista de fora da nave, como em Star Fox 64 e que o estúdio que está ajudando a Nintendo é a Platinum Games (na verdade, isso só foi anunciado depois do Digital Event, mas quis pôr esta informação aqui).

Também teve o Miyamoto contando as origens em torno da criação da série: dele ser fã de Thunderbirds quando criança, de como ele gostava de andar pelos toriis do templo próximo da casa dele e dele gostar de desenhar animais antropomorfizados.

Eu gosto muito disso que a Nintendo faz de colocar os desenvolvedores em destaque para falar das origens do jogo, acho que ajuda a humanizar o processo da criação de jogos, ao invés de parecer que eles são feitos por um exército de robôs.

O que eu já sabia: Como o jogo controlava, que isso foi explicado ano passado, apesar de só ter visto isso melhor agora. E parte da origem de Star Fox já era conhecida, principalmente a influência de Thunderbirds e os toriis.

Ou seja: Star Fox Zero foi uma das melhores partes da apresentação, tanto no ponto de vista da importância do jogo quanto das informações apresentadas, pois os fãs mais hardcore que nem eu puderam ver mais detalhes e os mais casuais puderam conhecer mais sobre a origem da série, e ambos finalmente viram o jogo como ele é.

Skylanders SuperChargers

Plataforma: WiiU, Wii e 3DS

Data de lançamento nos EUA: 20/09/2015

O que foi apresentado: Que haverão duas figures híbridas de Skylanders e amiibo, uma do Donkey Kong e outra do Bowser, cada uma com um veículo especial, já que a grande novidade deste Skylanders é justamente que os monstros têm veículos agora.

O que eu já sabia: Saber, saber, eu não sabia, mas estava rolando um rumor fazem algumas semanas que a Nintendo estava preparando alguma coisa com amiibo em conjunto com uma das outras franquias de toys-to-life, Skylanders e Disney Infinity.

Ou seja: Talvez esse anúncio seja uma grande surpresa isoladamente, pois como o próprio Reggie (o presidente da Nintendo of America) disse na apresentação, a Nintendo nunca foi de emprestar seus personagens para outras empresas. Mas isso é uma meia verdade, pois quando levamos em conta jogos como Hyrule Warriors, Genei Ibun Roku #FE e Puzzle and Dragons Super Mario Edition, vemos que a Nintendo está disposta a emprestar os personagens em momentos de necessidade. De certo modo, isso acontece desde a época do Gamecube, com o Link em Soul Calibur 2 e o Mario, a Peach e o Luigi em NBA Street V3 (sério). No final das contas, esse anúncio, para mim, não cheira nem fede, pois sei que não sou o público-alvo desse jogo mas entendo a Nintendo querer chamar a atenção para ele e o conteúdo exclusivo das versões nos seus consoles. Só faltou explicar isso para os fãs mais hardcore, que ficaram de saco cheio com essa parte do Digital Event.

The Legend of Zelda: Triforce Heroes

Plataforma: 3DS

Data de lançamento nos EUA: Outono de 2015 no hemisfério norte.

O que foi apresentado: Em primeiro lugar, que este jogo existe. Foi criado aproveitando a engine de Link Between Worlds, e é um spin-off (não parece ser parte da série principal, mas não tenho 100% de certeza já que a timeline de Zelda é a bagunça que é) focado em multiplayer co-op com três jogadores, online ou local, parecido com os jogos da série Four Swords, mas menos competitivo. Um elemento importante dessa mecânica co-op é o totem, onde os Links se empilham para resolver puzzles.

No modo single player o jogador controla os três Links separadamente.

Outro fator importante no jogo são as roupas que os Links podem usar, onde roupas diferentes trazem habilidades diferentes para eles. Parece também que a moda é parte da história do jogo.

O que eu já sabia: Nada. Este jogo saiu de lugar nenhum e foi uma ótima surpresa.

Ou seja: Outro ponto bom da apresentação, mesmo não sendo o Zelda que os fãs hardcore querem ver. Mas, sendo bem sincero, me parece divertido, e vou comprar quando lançar.

Hyrule Warriors Legends

Plataforma: 3DS

Data de lançamento nos EUA: Primeiro trimestre de 2016

O que foi apresentado: Que este jogo vai ser praticamente igual à versão lançada pro WiiU em 2014, mas já com todos os personagens de DLC e mais dois, a Tetra e o rei de Hyrule. Também há a funcionalidade nova emprestada de Dragon Quest Warriors onde você pode trocar de personagem durante a batalha.

O que eu já sabia: Tudo. Mas não por causa da Nintendo estar se repetindo, o problema é que o trailer deste jogo vazou semana passada, então quem é fã já sabia de tudo relacionado a este jogo.

Ou seja: acabou sendo um ponto fraco da apresentação por causa do vazamento do trailer. Talvez os fãs mais casuais tenham se surpreendido com este anúncio no Digital Event, mas como este é um jogo com um foco maior nos fãs hardcore, acho que ele foi uma bola fora no esquema geral das coisas. Se eu for bem sincero, acho que a Nintendo devia ter lançado o trailer deste jogo em alta definição no dia que vazou e ter cortado esta parte do Digital Event, que assim ela teria controlado a mensagem e centralizaria nela a busca por informações sobre o jogo ao invés de ter espalhado tudo em diversos canais do YouTube e depois ainda ter tido o trabalho de ir atrás desses canais com acusações de quebra de copyright. Isso deixaria o Digital Event mais curto, mas não acho que isso seja ruim, é mais importante controlar a informação do que ter um vídeo com cinco minutos a mais.

Metroid Prime: Federation Force

Plataforma: 3DS

Data de lançamento nos EUA: 2016

O que foi apresentado: Que este é um jogo novo ambientado no universo de Metroid, mas focado na Federação Galática (blergh) com missões co-op de quatro jogadores mais um minigame de futebol espacial com mechas chamado Blast Ball.

O que eu sabia deste jogo: Da parte dele ser no universo de Metroid e das missões co-op, nada. Mas a parte do Blast Ball eu já conhecia pois ele foi um dos jogos usados no Nintendo World Championship.

Ou seja: Este é, até onde pude medir, o jogo mais odiado de todos os anúncios da E3 de todas as empresas. Está todo mundo puto com ele só por ele existir no universo de Metroid, pois a gigantesca maioria dos fãs da Nintendo quer um Metroid de verdade, e não um spin-off com um dos aspectos mais toscos do universo, a Federação Galática (BÉ-LÉR-GUI). Como já falei antes, eu não queria um Metroid novo e agora quero menos ainda, pois a Nintendo acaba de mostrar o quanto ela se importa com a série: NADA. Cagando e andando.

No fim, este foi um anúncio problemático em dois níveis: para quem é fã bitolado da Nintendo, ver ele ser parte do universo de Metroid é uma ofensa de marca maior; para quem é apenas um fã casual, o jogo só parece um shooter genérico sem nenhuma personalidade, dando essa imagem para a série Metroid. Esses fãs casuais, aliás, provavelmente não viram o NWC, então não entenderam lhufas do Blast Ball, que o trailer não explicou direito.

Vou ser muito sincero: por mim, fazia outro post gritando com a Nintendo só por este jogo existir, mas o nome do blog é Eu estou certo sobre games, e não Eu me revolto e grito alucinadamente sobre games. Apesar dessa ser uma idéia interessante para o futuro.

Fire Emblem Fates

Plataforma: 3DS

Data de lançamento nos EUA: 2016

O que foi apresentado: Um trailer focado na história do jogo, mas que não explicou nada. Mas foi o primeiro trailer falado em inglês.

O que eu já sabia: Tudo, inclusive o que o trailer não explicou.

Ou seja: Fire Emblem, além de ser uma das minhas séries favoritas da vida, é um jogo para um público mais hardcore, que provavelmente já sabe sobre boa parte da história do jogo e que o trailer não acrescentou nada. Para quem não conhece, pareceu mais um JRPG genérico (sim, eu sei que é um JRPG de estratégia de turno, mas quem não conhece não deve perceber a diferença) sobre nada. Acabou sendo uma parte meio perdida no meio do Digital Event. Acho que a Nintendo devia ter feito um trailer mais explicativo para o público mais casual no Digital Event e ter feito um outro vídeo para os fãs hardcore da série, focado em detalhes específicos como o castelo ou o sistema de fazer carícias nos rostos dos seus soldados (sério).

Genei Ibun Roku #FE

Plataforma: WiiU

Data de lançamento nos EUA: 2016

O que foi apresentado: Um trailer focado na história do jogo. EM JAPONÊS. SEM LEGENDA. Em inglês, só alguns recordatórios perdidos aqui e ali.

Pelo trailer percebemos que é um jogo super-duper-uber otaku pra burro, cheio de boob physics, fan services e J-pop.

O que eu sabia: que esse jogo é super-duper-uber otaku pra burro, cheio de boob physics, fan services e J-pop.

Ou seja: Nintendo. Estou quase gritando de novo. Nem é sobre a qualidade do jogo ou a otakuzisse crônica dele ou o boob physics. O que me dá vontade de gritar é que nem pra pôr uma porcaria duma legendazinha no trailer? Sério mesmo? Sem contar que mesmo que ele tivesse legendas ou estivesse dublado, a maior parte do público vendo ele ia continuar sem entender o que diabos é esse jogo, se é um jogo de ritmo ou um dating sim, sendo que ele não é nem um nem outro, é um RPG. Não é assim que se vende um jogo, Nintendo. Como você ainda não aprendeu isso? Caramba.

Xenoblade Chronicles X

Plataforma: WiiU

Data de lançamento nos EUA: 04/12/2015

O que foi apresentado: Um trailer não muito diferente do da E3 de 2014, mas melhor, pois apresentou a premissa do jogo, um pouco do gameplay e mechas, ou seja, foi um dos melhores trailers do Digital Event – os textos até estavam em inglês! Também revelaram a data exata de lançamento.

O que eu já sabia: Tudo, menos a data de lançamento. Esse jogo já lançou no Japão, até já tem o final no YouTube, é só procurar.

Ou seja: Por mais que eu já soubesse muito sobre esse jogo, eu realmente achei este trailer um dos melhores, não era sarcasmo. Porque ele soube passar bem sobre o que ele é para o público casual e deu a data de lançamento para o público hardcore. Nota dez.

Animal Crossing: Happy Home Designer

Plataforma: 3DS

Data de lançamento nos EUA: 25/09/2015

O que foi apresentado: Um Animal Crossing focado na decoração dos ambientes. Que é o que este jogo é. Mostrou também a interação com os cards de amiibo. Um pequeno porém importante detalhe foi revelado também: que agora temos diferentes tons de pele para os villagers, uma das grandes críticas ao Animal Crossing: New Leaf.

O que eu já sabia: Sobre o que o jogo é, tudo, mas essa parte da cor de pele dos villagers foi uma surpresa positiva pra mim.

Ou seja: Este já é um jogo que atinge um público mais amplo, tanto os fãs hardcore da Nintendo como os mais casuais. Nesse sentido, o trailer funciona que nem o de Xenoblade Chronicles X: mostra o que precisa para entender sobre o que é o jogo e ainda dá a data exata de lançamento.

Tendo dito isto, acho que este, assim como o próximo, é um jogo que devia ter ganho mais destaque no Digital Event, talvez mostrando os desenvolvedores conversando sobre a série e etc, que nem aconteceu com Star Fox, Zelda e Super Mario Maker. Que Animal Crossing realmente é uma série com um appeal grande para diversos públicos, e acho que humanizar o desenvolvimento dela só ia contribuir mais.

Este foi, no fim, mais um exemplo da falta de foco da Nintendo. Se o Digital Event era para o público mais hardcore, então o jeito como foi apresentado foi ótimo; agora, se o Digital Event era para um público mais amplo, este era justamente o jogo que podia ser mais explorado.

Animal Crossing: amiibo Festival

Plataforma: WiiU

Data de lançamento nos EUA: Final de 2015

O que foi apresentado: Vindo de lugar nenhum, um jogo de tabuleiro temático de Animal Crossing com forte interação com amiibo. Ah, e amiibo tipo figures de Animal Crossing.

O que eu já sabia: Sobre o jogo, nada, sobre os amiibo, eles vazaram no final de semana.

Ou seja: Muita gente também está puta com este jogo por ele não ser o Animal Crossing que esperavam, mas eu sou daqueles que acha que a fórmula clássica de Animal Crossing funciona melhor em portáteis mesmo, e que uma versão nova para consoles não ia acrescentar muito para a série. Agora, fazer um spin-off para consoles não é um problema, principalmente quando ele não parece ter sido feito de qualquer jeito e só colocaram o nome de Animal Crossing numa tentativa desesperada de validar o jogo (vocês sabem de qual nojeira horrorosa eu estou falando). Do jeito que está, me pareceu bem dentro do clima da série. Imagina, o vencedor é o jogador que estiver mais feliz no final, quer coisa mais Animal Crossing? Agora que estou pensando, ia funcionar também com Okami.

Mas aí voltamos para aquilo que falei no jogo anterior: Animal Crossing é uma série que atinge diversos públicos e a Nintendo devia ter valorizado mais ela. Novamente, se o foco eram os fãs hardcore, do jeito que foi apresentado funciona, mas se a idéia era um público mais amplo, devia ter investido mais.

O único porém que consigo ver para a Nintendo falar mais desses dois jogos é a forte relação deles com amiibo, e o desastre no manejamento dos estoques deles os transforma num assunto delicado, que tinha o potencial de irritar muita gente. Mas mesmo assim, acho que a Nintendo devia ter apostado mais em Animal Crossing.

Yoshi’s Woolly World

Plataforma: WiiU

Data de lançamento nos EUA: 16/10/2015

O que foi apresentado: Uma das coordenadoras envolvidas no jogo, Emi Watanabe, conversando sobre seu papel na produção tanto do jogo como dos amiibo do Yoshi feitos de lã (acho, pode ser outro material) que parecem amigurumi. Ela também explica como o jogo funciona, o modo co-op e como ele pode ser um desafio caso o jogador queira fazer 100%.

O que eu já sabia: Tudo sobre como o jogo funciona, nada sobre a parte do envolvimento dela no jogo.

Ou seja: Este foi um dos pontos mais problemáticos da apresentação para mim, e foi a grande inspiração para este post enormantesco.

Seguinte: A moça explicando sobre a participação dela no desenvolvimento do jogo foi super legal e fofinho, bem na linha daquilo que eu falei de humanizar os desenvolvedores. Imagina, a última coisa que ela fala é “Acima de tudo, quero que as pessoas se sintam felizes jogando este jogo.” Essa é a epítome da filosofia Nintendo de desenvolvimento de games. Muito legal mesmo.

Só que já vimos como o jogo funciona. Com detalhes. E com desenvolvedores falando. NO DIGITAL EVENT DO ANO PASSADO.

Já era para este jogo ter lançado, mas sabe-se lá porque ele atrasou. E tudo bem, jogos atrasam, faz parte. O que me incomodou foi ter dado tanto destaque para ele sendo que já sabemos tudo sobre ele. Tudo. Ele já apareceu em outros trocentos Directs. E teve um monte de videozinhos promocionais dele nas últimas semanas. A questão é: para mim, fã bitolado da Nintendo, eu não agüento mais ver trailers e comentários e sei lá o que mais desse jogo, só quero que ele lance logo e fim. Não era pra Nintendo ter gastado mais tanto tempo com ele, era só fazer um trailerzinho com a data de lançamento, que nem ela fez com Xenoblade Chronicles X.

Só que falar isso me enche de tristeza porque a historinha da Emi é tão bonitinha, dela falando do amigurumi que ela fez e etc. No fundo, é importante ter esse tipo de relato dos desenvolvedores no Digital Event, mas foi justamente de um jogo que já deu no saco ficar revendo as mesmas informações de novo e de novo e de novo.

No fim, a única conclusão que eu chego sobre isso tudo é que a Nintendo devia ter mostrado menos este jogo antes da E3, e ter deixado algumas revelações para o Digital Event, que aí os fãs mais alucinados, como eu, não iam ficar tão de saco cheio e iam ter aproveitado melhor a historinha da Emi. Eu sei que não adianta dar uma sugestão agora, mas a funcionalidade dos amiibo, as cores especiais de Yoshi, era perfeita para só ser revelada agora.

Yo-Kai Watch

Plataforma: 3DS

Data de lançamento nos EUA: Final de 2015

O que foi apresentado: Um trailer simples explicando o básico do jogo e dos yo-kai (eu sei que a escrita correta em romaji é youkai, mas o nome oficial no ocidente é yo-kai), as criaturas que você coleciona nele.

O que eu já sabia: Tudo. Este jogo lançou em 2013 no Japão e é febre por lá desde então, e por isso já vi trocentos artigos explicando esse “novo Pokémon”.

Ou seja: Assim como o Skylanders, eu não sou o público-alvo deste jogo, por isso não me incomodou ver este anúncio no Digital Event. E eu achei que o trailer ficou bom, funciona, nem tenho muito o que falar. É um jogo que não apenas a Nintendo, mas a Hasbro e a Viz Media estão investindo muito para ser um “novo Pokémon” aqui no ocidente também, então nada mais justo que pôr no Digital Event também. O problema é explicar isso para outros fãs hardcore da Nintendo que prefeririam ver algo menos casual, tipo Fatal Frame.

Mario & Luigi Paper Jam

Plataforma: 3DS

Data de lançamento nos EUA: Primavera de 2016 no hemisfério norte.

O que foi apresentado: Um trailer revelando o jogo e mostrando como as mecânicas das duas séries de RPGs do Mario, Paper Mario e Mario & Luigi, funcionam juntas.

O que eu já sabia: Rumores sobre um novo Paper Mario estavam circulando nas internets já tem algum tempo, mas nenhum deles apontava pra isto. Foi a melhor surpresa que eu tive no Digital Event.

Ou seja: Fantástico, sensacional, deslumbrante. É o tipo de anúncio para fãs que nem eu, que adoram as duas séries (por mais que os últimos jogos lançados nelas foram os piores de cada), adoram o Mario e adoram RPGs. E foi anunciado dum jeito que funciona, focado nas novidades que este jogo traz. Quem não conhece possivelmente ficou meio perdido, mas uma das principais características das duas séries, o humor tonto, estava presente no trailer, o que pode acabar atraindo novos fãs para a série.

O único problema é que as séries de RPG do Mario são consideradas jogos menores da Nintendo, e como não teve nenhum outro anúncio mega-blockbuster, tem gente reclamando até deste jogo, por mais que ele pareça fantástico, sensacional, deslumbrante.

Mario Tennis Ultra Smash

Plataforma: WiiU

Data de lançamento nos EUA: Final de 2015

O que foi apresentado: Mario Tennis em HD, com uma nova mecânica envolvendo os Mega Mushrooms, que deixa os personagens gigantescos.

O que eu já sabia: Nada, por mais que, em retrospecto, era um anúncio meio óbvio, uma vez que nenhum jogo de esportes do Mario havia sido lançado para o WiiU (só de olimpíada, que é considerada outra vertente de jogos do Mario).

Ou seja: Novamente, não cheira nem fede. É uma surpresa boa, mas também é um jogo “menor” dentro do panteão da Nintendo. Faz sentido colocar ele no Digital Event porque ele atrai tanto fãs hardcore como casuais.

Super Mario Maker

Plataforma: WiiU

Data de lançamento nos EUA: 11/09/2015

O que foi apresentado: Shigeru Miyamoto e Takashi Tezuka conversando sobre as origens do jogo e da própria série Super Mario, de como eles criavam as fases na década de 1980. Também foi revelada a funcionalidade dos amiibo com o jogo, onde o Mario vira o personagem do amiibo que você usar, um amiibo novo especial do Mario 8 bits e de um livretinho especial que vai vir junto com o jogo, contendo idéias e sugestões para você criar suas fases.

O que eu já sabia: As partes dos amiibo, nada, mas do amiibo especial do Mario 8 bits eu sabia porque vazou junto com os de Animal Crossing. Quanto à história por trás da criação do Super Mario Maker, a Nintendo já tinha contado antes, mas foi bem legal ouví-la do Shigeru Miyamoto, por mais que estivesse com uma dublagem horrorosa (na versão européia do Digital Event está legendado, acho que tem a ver com aquela coisa de americano não gostar de ler legendas – inclusive, é por isso que eu coloquei a versão européia do Digital Event no começo do post). E eu sempre estou disposto a ouvir mais sobre as origens dos meus jogos favoritos, os documentos que eles mostraram com as fases que eles criaram para o primeiro Super Mario Bros foram sensacionais para mim.

Ou seja: Gostei muito dessa parte do Super Mario Maker, por mais que, no fundo, tenha sido a mesma coisa que o Yoshi’s Woolly World: um jogo que já tinha sido revelado ano passado e que a Nintendo já tinha mostrado tudo sobre em outros Directs e vídeos. Acho que o aspecto histórico apresentado acabou me conquistando, se fosse só a parte de “criamos uma ferramenta para gerar fases” de novo, eu provavelmente ia estar reclamando também.

O problema que este jogo enfrenta, acho eu, é que muita gente ainda não entendeu seu potencial, então vejo muitos comentários por aí desmerecendo ele como “não é um jogo grande” ou mesmo “é só um criador de fases glorificado”, deixando-as estarrecidas que a Nintendo deixou ele para fechar o Digital Event como o outro jogo mais importante, junto com Star Fox Zero. Para essas pessoas, quero indicar a final do Nintendo World Championship, que foi no Super Mario Maker e foi a parte mais legal do campeonato.

Conclusão

Enquanto escrevia, fui percebendo como, tirando aquela coisa horrorosa, nojenta e ofensiva do Federation Force, foi uma apresentação razoável. Dois dos seus maiores problemas foram mais meus do que da apresentação em si: o excesso de informação repetida e as minhas expectativas exageradas quanto à novos jogos blockbusters.

Mas o maior problema foi responsabilidade da Nintendo: ela não parecia saber para quem era esta apresentação, se era para quem já é fã de carteirinha que nem eu, que quer ver mais sobre Fire Emblem Fates e menos sobre Yoshi’s Woolly World ou se era para fãs mais casuais, que iam gostar muito de ver mais sobre Animal Crossing, mas que não se importam em absoluto com Genei Ibun Roku #FE. Teria sido melhor se a Nintendo tivesse vestido uma das camisas e focado em só um público.

Se fosse no povo mais hardcore, tirava Skylanders e Yo-kai Watch, colocava Fatal Frame e Project Treasure, diminuía Yoshi e aumentava Fire Emblem. Se fosse no povo mais casual, tirava Genei Ibun Roku #FE, fazia um trailer mais explicativo de Fire Emblem e aumentava a parte de Animal Crossing. Escolhido o foco, deixava os outros jogos que vão agradar mais o outro público para trailers e live-streams. Ou, já que não é uma conferência ao vivo, que fizesse dois vídeos, um o Digital Event principal, para um público mais amplo e um outro, o Über Special Direct for Fanboys para passar depois.

E em ambos os casos não colocava o Federation Force. Cancela ele de uma vez, aliás, que sério, Nintendo, chega de ficar rebosteando Metroid.

Links

Nintendo @ E3 2015 (Nintendo)

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